MP pode investigar Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro

Procurador-geral do Rio assumirá o caso se for indicada a prática de atos ilícitos antes da diplomação como senador; órgão deverá investigar, ainda, por que a mãe e esposa de miliciano trabalharam no gabinete de Flávio


Jornal GGN – O Ministério Público do Rio de Janeiro poderá investigar Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro. O caso não está sob a responsabilidade do órgão hoje, porque o senador eleito tem a prerrogativa do foro privilegiado.

Mas, se for indicado que praticou atos ilícitos antes de sua diplomação, ocorrida em 18 de dezembro passado, o procurador-geral da Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, passará a cuidar do caso, com o apoio do Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (Gaocrim), solicitando, ainda, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador.

A Procuradoria-Geral também poderá investigar porque a mãe e a mulher do ex-capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega foram empregadas no gabinete de Flávio, quando deputado na Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

O ex-policial também foi mencionado no relatório do Coaf por ter transferido R$ 4,6 mil ao ex-assessor Queiroz. Ele está foragido desde esta terça-feira (22), após ter prisão decretada por fazer parte da milicia envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol).

Segundo informações colhidas pelo jornal Valor, sob investigação do Ministério Público, Flávio ficará sujeito a procedimentos para explicar a origem de valores e a suspeita de ocultação de bens e sonegação fiscal.

Caso o MPRJ continue afastado, as diligências ficarão sob responsabilidade do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que continuará usando as informações do Coaf para se aprofundar nas investigações. Leia também: Receita fará pente-fino nas contas de Flávio e Queiroz.

O Coaf identificou movimentações suspeitas na conta do filho do presidente Jair Bolsonaro, durante sua atuação como deputado federal na Alerj. O órgão irá ouvir nos próximos dias testemunhas para ajudar na tipificação das operações.

Fontes ouvidas pelo Valor, sob anonimato, e que trabalharam nas investigações da Operação Lava Jato, pontuaram que pesa contra Flávio dois aspectos: o padrão na quantidade de depósitos fracionados feitos na conta do parlamentar, relacionadas com o seu ex-assessor, Fabrício Queiroz e que totalizaram R$ 96 mil; e o fato de o senador eleito não esclarecer para quem efetuou o pagamento de um título bancário da Caixa no valor de R$ 1,016 milhão.

Em 2014, quando candidato a deputado estadual pelo PP, Flávio declarou ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro possuir um total de R$ 714,3 mil em bens. No ano passado, o valor saltou para R$ 1,741 milhão.