Ministério Público denuncia seis bicheiros que agiam em bando no Sul de Minas

A quadrilha é acusada de exploração de jogo de bicho, lavagem de dinheiro, corrupção policial, falsidade ideológica e contravenção penal. A bandidagem era organizada até mesmo com o pagamento de propina a policiais de Varginha


O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou seis acusados de envolvimento em uma quadrilha de exploração de jogo de bicho, lavagem de dinheiro, corrupção policial, falsidade ideológica e contravenção penal. A organização agia em Varginha, no Sul de Minas e São João da Boa Vista, em São Paulo, cidade de origem dos integrantes.

A denúncia, aceita pela Justiça de Varginha, baseia-se em investigação iniciada em 2010, quando a Polícia Civil reuniu boletins de ocorrência e termos circunstanciados relacionados à exploração de jogo de azar em Varginha. Os investigadores levantaram que os bicheiros eram da cidade paulista, onde há mais de duas décadas praticavam a contravenção. Conforme a denúncia, a quadrilha era muito organizada, com hierarquia e contabilidade bem demarcadas.

Na época das investigações, os policiais apreenderam talonários e máquinas eletrônicas usadas nas apostas. Também foram encontradas planilhas de movimentação bancária, gastos diversos, retiradas, investimentos, anotações diárias, notas promissórias, contratos de compra e venda de imóveis (lotes), recibos de IPTU, contratos sociais de empresas, certificados de registro de veículos, agenda com anotações de pagamentos e retiradas.

Segundo o MPMG, os documentos apreendidos demonstram negociações de compra e venda de “bancas de jogo do bicho” cujos valores evidenciam a lucratividade da atividade. Os documentos provam ainda que quadrilha organização pretendia expandir a atividade para outras cidades do Sul de Minas Gerais e do interior de São Paulo.

Os seis denunciados, segundo o MPMG, pagavam propina a policiais para que não fossem presos. Ligações interceptadas com autorização da Justiça revelaram instruções dos chefes aos cambistas da organização e o controle do pagamento das propinas, o que caracterizou o crime de corrupção ativa.

Conforme a denúncia, o dinheiro da quadrilha era “lavado” por meio de estabelecimentos comerciais mantidos por eles. Para ocultar e dissimular a origem dos recursos obtidos com os crimes, os envolvidos também adquiriram alguns bens imóveis usando “testas de ferro” ou em nome próprio.