Ministério Público denuncia 40 integrantes de grupo criminoso de Porto Alegre

Já preso, líder da facção está entre os denunciados. MP pede ainda que bens ligados ao grupo sejam apreendidos e destinados à Polícia Civil do Rio Grande do Sul.


A Promotoria de Justiça Especializada no Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro e Organização Criminosa, projeto-piloto do Ministério Público do Rio Grande do Sul, apresentou à Justiça denúncia contra 40 integrantes de uma facção criminosa que atuava no bairro Mário Quintana, em Porto Alegre. O grupo responderá por organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção de menores. Um dos chefes da facção, José Dalvani Nunes Rodrigues, está entre os denunciados.

Rodrigues é mais conhecido como “Minhoca”, e foi preso em Ciudad de Leste, no Paraguai. Atualmente, ele está no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Mesmo quando ainda estava no Paraguai, Minhoca mantinha controle sobre a facção em Porto Alegre, indicando os locais onde seria vendida a droga, determinando pagamentos, apontando as contas para movimentar os valores levantados e até ordenando homicídios e venda de armas.

Segundo o Ministério Público, ele chefiava um grupo dentro da facção, que movimentava cerca de R$ 500 mil por semana.

Boa parte das provas que baseiam a denúncia foram encontradas no celular de Minhoca, apreendido após a prisão. Fotografias dos integrantes da organização criminosas, portando armas de diversos calibres, além de recibos que comprovavam a prática dos crimes e mensagens entre integrantes da facção foram localizadas pelas equipes de investigação.

A denúncia por corrupção de menores se dá porque há provas de que o grupo aliciou uma adolescente de 16 anos, para que a jovem vendesse drogas e fizesse depósitos bancários.

Em novembro, o grupo já havia sido alvo de operação da Polícia Civil, acompanhada pela Promotoria Especializada. Seis mandados de prisão e 10 de busca e apreensão foram cumpridos.

Operações financeiras e laranjas para lavar dinheiro

A investigação ainda mostrou como o grupo lavava o dinheiro proveniente da venda de drogas e armas. Eram duas formas: operações financeiras, como depósitos, empréstimos e recebimento em contas de terceiros, as chamadas “contas de passagem”, e aquisição de imóveis e imóveis, todos registrados em nomes de “laranjas”. Dois minimercados, uma loja de roupas, uma lavagem de veículos, três imóveis residenciais (entre os quais um sítio), 14 carros e seis motos integravam este esquema.

Cerca de R$ 2,7 milhões foram bloqueados das contas ligadas à facção. A denúncia solicita que os bens e valores apreendidos sejam revertidos à Polícia Civil do Rio Grande do Sul.