Ministério Público denuncia 20 suspeitos de pertencer a uma das maiores organizações criminosas do RS

Entre os denunciados está o traficante Jackson Peixoto Rodrigues, conhecido como Nego Jackson. Ele foi preso no Paraguai em janeiro de 2017 e é suspeito de cometer pelo menos 20 homicídios.


Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) denunciou 20 pessoas ligadas a uma das maiores organizações criminosas do estado. Entre eles está o traficante Jackson Peixoto Rodrigues, conhecido como Nego Jackson, preso no Paraguai em janeiro de 2017.

Conforme o MP, Jackson teria ligações com criminosos no Paraguai e com facções do Rio de Janeiro, além de ser responsável por pelo menos 20 homicídios. Os outros 19 denunciados são ligados a ele, obedecendo a um esquema de cargos e funções definidas dentro da organização, desmantelada pela Operação Quebra-Cabeça, realizada pela Polícia Civil em novembro deste ano.

Nego Jackson está preso na penitenciária de Porto Velho, em Rondônia. Outros quatro denunciados são detentos no Rio Grande do Sul, e uma pessoa está sob monitoramento eletrônico. De acordo com a investigação, os crimes foram cometidos entre os anos de 2015 e 2017, em Porto Alegre, na Região Metropolitana e no Litoral Norte do estado.

A organização criminosa atuava no tráfico de drogas, associação para o tráfico, venda ilegal de armas de fogo, lavagem de capital e homicídios. As denúncias são por organização criminosa, lavagem de dinheiro e utilização de contas de empresas e pessoas naturais para lavagem de capitais.

O Ministério Público pede também, com a condenação, o perdimento dos bens e valores apreendidos e já sequestrados, que somam R$ 11 milhões, entre imóveis, veículos e valores bloqueados em contas bancárias. Caso seja aceita pela Justiça, a quantia seria revertida à Polícia Civil gaúcha.

Para o promotor Marcelo Tubino, a organização criminosa é responsável por inúmeros crimes. Ele ressalta que o trabalho conjunto do MP com a Polícia Civil tem o objetivo de frear a atividade da quadrilha com a prisão dos líderes e também compensar a sociedade gaúcha com os valores confiscados.

“Temos de sempre pensar em eficiência. No mesmo processo são inarredáveis ações privativas de liberdade e de restrição patrimonial. Temos um contínuo, cansativo, longo mas necessário caminho pela frente”, afirma.

Como funcionava o esquema

Todo o dinheiro ganho com a venda de drogas dentro da Vila Jardim e para outros traficantes era recolhido por gerentes do tráfico. Depois, era submetido à gerente financeira da facção. As quantias, então, eram depositadas em contas repassadas para empresas situadas no Rio Grande do Sul e outros cinco estados, que, por sua vez, encaminhavam para outros destinos.

Casas de câmbio e empresas de turismo de fachada na fronteira eram usadas, e o dinheiro era reenviado para o Paraguai, onde Nego Jackson estava escondido antes de ser preso. Segundo a polícia, boa parte do montante era destinada ao conforto do criminoso.

A investigação também descobriu que Nego Jackson havia assumido o papel de fornecedor de drogas para outros grandes traficantes da Região Metropolitana de Porto Alegre. Alguns destes integram, inclusive, facções diferentes.

Nego Jackson, de acordo com a investigação, tem ligações com uma facção do Rio de Janeiro, e com o narcotraficante Jarvis Pavão, que também está preso. Ao dar entrada na Penitenciária de Porto Velho, pediu para ser recolhido no espaço destinado aos criminosos vinculados à facção carioca.

De acordo com o diretor do gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos da Polícia Civil, delegado Cristiano de Castro Reschke, é importante entender que o crime organizado se tornou um fenômeno social e criminal. Por isso, diz o policial, o combate à lavagem de dinheiro é uma estratégia para enfraquecer essas organizações.

“É necessário, importa destacar, o fortalecimento de ações como esta, com foco na lavagem de dinheiro, atacando o que move o crime, o dinheiro, e o que vem com ele: poder, armas drogas e violência”, afirma o delegado.

Na ocasião de sua prisão, o chefe da polícia do estado, Emerson Wendt, chegou a afirmar que Jackson era o alvo número 1 da corporação. Além dos crimes cometidos no Brasil, o líder criminoso também é investigado por um duplo homicídio no Paraguai.

Jackson começou a cometer crimes ainda durante a adolescência, e chegou a ser considerado “braço direito” dos antigos líderes do tráfico da Vila Jardim. Quando eles morreram, o denunciado assumiu o controle, tornando-se fornecedor de armas e drogas para outros traficantes, inclusive no interior do estado.