Ministério do Trabalho investiga fraude em 7 mil seguros para pescador em Caxias do Sul


Uma investigação que começou no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) identificou fraudes na liberação de sete mil seguros-desemprego para pescadores em Caxias do Sul. Só que a cidade, o segundo maior polo metalmecânico do Rio Grande do Sul, não tem rios e nem pescadores artesanais registrados, esta última informação da Operação Timoneiro da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta quarta-feira (25) sobre a fraude.

As informações da investigação foram reveladas inicialmente pelo jornal O Globo, que apontou que o valor da fraude seria superior a R$ 7 milhões. No fim da manhã desta quarta, a PF divulgou que o valor é de R$ 20 milhões. A polícia prendeu temporariamente Julio Cesar Goss, que é servidor do MTE e respondia pela Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Caxias do Sul. Buscas foram feitas no local de trabalho e na residência do servidor. Ele responderá pelos crimes de peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações (artigos 312 e 313-A do Código Penal) e organização criminosa, informou a polícia.

Conforme O Globo apurou, o gerente regional de Trabalho e Emprego em Caxias, Julio Cesar Goss, é o único habilitado para realizar o andamento nos recursos do seguro-desemprego na cidade. O nome do funcionário estaria por trás da liberação de seguros entre agosto de 2016 e março deste ano.

Por ter a senha para acessar o cadastro de requerentes de seguro-defeso em diversas regiões do Brasil, Goss fazia a solicitação. Mais da metade dos saques dos valores desviados foram levantados no Amapá, segundo a PF. As investigações tiveram início a partir de um relatório do MTE, que identificou “6.988 requerimentos do benefício com indícios de irregularidades em decorrência das intervenções indevidas realizadas pelo servidor”.

A Delegacia da PF em Caxias do Sul analisou os dados com a Coordenação-Geral de Polícia Fazendária da Polícia Federal (CGPFAZ), que está na Divisão de Crimes Previdenciários (DPREV). No ano passado, o mesmo funcionário virou réu na Justiça Federal no Amapá, onde atuou até 2015. Ele foi denunciado pelos crimes de estelionato e inserção de dados falsos, com a suspeita de fraude no pagamento de seguro. O crime teria ocorrido em 2014.

A reportagem traz ainda que o total previsto das parcelas de seguro alcançaria mais de R$ 24 milhões, mas parte foi bloqueada após a Polícia Federal (PF) iniciar a investigação sobre o caso e identificar a atuação do servidor.

O crime teria ramificações em outros estados da País. O Ministério do Trabalho encaminhou à PF uma lista com 50 nomes de pessoas que operam o sistema do seguro-desemprego e sobre as quais há indicativos de fraudes na liberação do seguro tradicional e do seguro defeso para identificar a ocorrência de outras fraudes.