“Máfia da agiotagem” lava dinheiro, cobra dívidas com tortura, ameaça e mata


 

Agiotagem oficializada por factorings de fachada serve para tudo, principalmente para “lavagem” de dinheiro roubado dos cofres públicos. Os agiotas quebram, na marra, os sigilos bancários e fiscais sem ordem judicial. Os espiões e os arapongas à serviço da “Máfia” em cobranças abusivas com torturas psicológicas, ameaças de morte e até mesmo mortes. Na lista de “clientes” estão grandes empresários, políticos, secretários de Estado, altos funcionários dos governos, inclusive secretários do Governo Federal e até autoridades policiais e judiciais.

Tudo começa assim. Se o nome do cliente está limpo ou “meio” limpo, o dinheiro sai fácil, não importa quanto, o que vale é a garantia: casa, carro, terreno, fazenda, joias, avião e outros bens. É o começo do fim.

O cliente acaba virando vítima, pois o gerente de factoring de fachada tem facilidade para consultar em poucos segundos toda vida pessoal e financeira da pessoa que vai pedir empréstimo ou trocar um cheque. A Polícia Federal (PF) está investigando, mas não fala sobre o assunto.

O gerente da factoring de fachada, não se sabe como, mas ele levanta na hora quantos cheques o cliente cancelou, sustou ou voltaram sem fundos nos últimos anos. Sabe também quanto o cliente tem na conta. Tudo em questão de segundos. Isso, segundo a Polícia, é quebra de sigilo bancário ilegal e criminoso.

As factorings legais, uma espécie de bancos de fomento, foram criadas para movimentar pequenos negócios em empréstimos calçados por troca de cheques à vista ou pré-datados que empresários e comerciantes recebem de clientes com pequenas margens de lucro para que o dinheiro girasse mais rápido no comércio e na indústria. Já as factorings de fachada vão mais além, mesmo agindo na clandestinidade.

Sem fiscalização, o que era para ser um negócio limpo vira agiotagem. Além de imoral, pois os juros cobrados são aviltantes, a agiotagem tambem é crime. Crime que pode ser comprovado pelo montante de dinheiro que muitas factorings emprestam, fora dos padrões de financiamento do Banco Central (BC). A “espionagem financeira”, na agiotagem oficial pode ser comprovada pela rapidez nos levantamentos cadastrais de um cliente, que nem imagina que sua vida está sendo revirada de cabeça para baixo.

Uma vítima que pediu para não ser identificada conversou por mais de uma hora com a reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News. Contou nos mínimos detalhes o que ela apurou e o que ela está disposta a denunciar – aliás, a pessoa já teria oficializado a denúncia -, tanto para a PF, quanto para o Ministério Público Federal (MPF).

Primeiro. Veja e entenda como funciona a lavagem de dinheiro.

O corrupto de um determinado órgão público paga para uma empresa “fantasma” movimentada por um “laranja” uma determinada quantia em cheque ou cheques. Um milhão, por exemplo. Esse ou esses cheques vão parar em uma factoring, geralmente numa factoring oficial, mas também funciona como de fachada, pois também aplica a regra da agiotagem. Na maioria das vezes, o cliente está sabendo das transações ilegais, mesmo assim corre o risco. Risco até de ser torturado e morto caso não cumpra com seu compromisso, que é o pagamento da dívida.

Na transação de lavagem de dinheiro, a factoring de fachada ou não, sempre fica com 10% ou mais – se for num prazo mais longo fica até com 20% ou mais  -, e devolve o restante do dinheiro para o corrupto. Pronto, o dinheiro está lavado e limpo. Só que, além do crime de lavagem de dinheiro, toda essa transação é feita na ilegalidade. Ou seja, mesmo recebendo um certificado da transação para poder depositar esse dinheiro em outro banco, o dinheiro não é contabilizado e o Banco Central não fica sabendo de nada.

Segundo. Os empréstimos em algumas factorings de fachada saem em qualquer valor e de qualquer maneira, mesmo que o cliente esteja com o nome sujo. Sai, no entanto desde que ele deixe uma garantia, de preferência um imóvel cujo valor seja, pelo menos o dobro, de preferência o triplo do empréstimo.

O cliente conta o drama e as facilidades de se contratar um empréstimo. Mas também conta os problemas da relação com uma factoring de fachada, e portanto, ilegal. O cliente assina documentos passando a garantia, de preferência imóveis direto para o nome do dono da factoring.

Daí o cliente recebe o dinheiro em questão de minutos. É um empréstimo que jamais poderia ser feito. Em 99% dos casos os clientes perdem o que deram de garantia, geralmente um patrimônio muito acima do valor do empréstimo”.

Em confiança e em nome de grandes amizades, muitos clientes famosos conseguiram grandes empréstimos em factorings oficiais ou de fachada em Cuiabá e Várzea Grande apenas pela fama do nome, do cargo que exercia e do poder.

Alguns clientes acabaram indo à nocaute, mesmo com toda a fama e com todo o nome. Foram cobrados normalmente. Ofendidos, ameaçados de morte e até espancados. Com medo dos escândalos e da repercussão, todos os clientes nunca abriram a boca para denunciar os seus “amigos” agiotas.

Recentemente um empresário perdeu uma casa num bairro nobre de Cuiabá, avaliada em mais de R$ 500 mil. Como estava “enforcado” em dívidas, o empresário pegou R$ 50 mil e deu a casa como garantia de um empréstimo ilegal.

A reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News tentou conversar com dois donos de factorings oficiais diferentes, mas nenhum deles aceitou gravar entrevistas.

Apenas um dono de factoring legal, fez o seguinte comentário. Pedindo apenas para não ser identificado, o empresário alerta que também existem factorings legais que também praticam agiotagem e algumas até aceitam objetos roubados, inclusive cargas inteiras como pagamento de dívidas.

“As factorings de fachada, portanto ilegais, que na verdade servem apenas como agiotagem, precisam ser investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. São empresas de fachada, que prejudicam o trabalho e a imagem de quem trabalha na legalidade. Mas também existem factorings não tão legais, que até roubos recebem como pagamento de altas dívidas, também contraídas ilegalmente. Se for preciso eu forneço os nomes de todas as factorings ilegais, mas também das não tão legais”.