“Máfia brasileira da noite” que intimidava donos de boates vai a julgamento em Portugal

"Máfia brasileira da noite" obrigava os donos de bares e discotecas de Lisboa a contratarem os seus serviços de segurança ilegal


A Justiça de Portugal inicia esta semana o julgamento da chamada "máfia brasileira da noite", uma rede ilegal de serviços de segurança que seria liderada pelo lutador brasileiro de jiu-jitsu Sandro Lima, mais conhecido como Sandro "Bala", e que obrigava donos de bares e discotecas de Lisboa a contratarem seus trabalhos.

Em fevereiro do ano passado uma “associação criminosa”, que seria liderada por Sandro “Bala”, 39 anos, foi desmantelada após uma operação da polícia portuguesa. Na época, 15 pessoas foram presas, mas o suposto líder do grupo deixou Portugal e seguiu para o Brasil.

A rede, que contaria com 25 integrantes, é acusada pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa de um total de 109 crimes, que incluem homicídio, lesões corporais graves, extorsão e falsificação de documentos. Segundo a imprensa portuguesa, o grupo obrigava os donos de bares e discotecas das regiões de Lisboa e Margem Sul do Tejo a contratarem os seus serviços de segurança ilegal.

Dois lugares conhecidos da noite lisboeta, o “Budha Bar” e a discoteca “W”, foram visitados e destruídos pelo grupo, que pretendia impor os seus serviços de segurança.

Sandro “Bala” seria responsável por recrutar no Brasil pessoas que tivessem conhecimentos de jiu-jitsu, usando-os depois para fazerem extorsões em discotecas, bares e restaurantes. Até dezembro de 2009, quando "Bala" partiu para o Brasil, dezenas de brasileiros chegaram para trabalhar com ele.

Apesar das suspeitas que recaem sobre Sandro "Bala", brasileiros em Portugal defendem o lutador de jiu-jitsu. Segundo o brasileiro Marcelo Oliveira, nunca existiu uma máfia brasileira da noite. "Conheço muitos brasileiros que vivem na região [onde atuaria a máfia brasileira da noite] e eles dizem que alguns empresários portugueses, donos de danceterias, contratavam brasileiros e portugueses que praticavam jiu-jitsu na academia do Sandro ‘Bala’. Claro que em se tratando de homens e mulheres fortes e treinados, a ação dessas pessoas não é nada amigável, sempre sobra socos e pontapés”.

“Se você aumentar o tom de voz falando do Sandro, o bicho pega com o pessoal das bandas de lá. Ele é defendido pela maioria dos moradores”, disse Oliveira, que vive em Lisboa há 8 anos.

Segundo Oliveira, “o Sandro, como era uma pessoa de confiança na região, indicava alunos da sua academia para serem seguranças e ganhava com isso… Mas acusar um professor, que agenciava profissionais que cometeram excessos, é uma coisa, agora, acusar pessoas de uma determinada nação de formação de ‘gangues’, só por estas estarem dominando uma certa área de trabalho em uma região, é outra”.

Para a polícia portuguesa, Carlos Pereira, dono da empresa de segurança “Olho Vivo”, sediada na cidade de Setúbal, e patrão de Sandro “Bala”, também pertenceria ao grupo. Procurada pela reportagem do UOL Notícias, a polícia portuguesa não quis comentar o caso.