Luxemburgo pior que Suíça a prevenir lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo


O Luxemburgo tem maus resultados na prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, ficando em 71° lugar entre os países com maiores riscos, com pior nota que a Suíça, Singapura ou o Qatar e a Arábia Saudita, segundo um estudo independente.

A lista, divulgada pelo Instituto Basel de Governação, uma entidade independente com sede na Suíça, classifica 152 países com uma nota que vai de zero (risco baixo) a dez (risco alto).

O instituto independente destaca o Grão-Ducado como um dos cinco Estados-membros da União Europeia "com maiores riscos", atribuindo-lhe uma nota de 5,93, pior do que a avaliação de países como a Suíça (5,51) e Singapura (4,91), ou mesmo o Qatar (4,93) e a Arábia Saudita (5,47).

O Grão-Ducado fica em 71° lugar entre os países com pior avaliação, numa lista que ordena os países a partir do Estado com maiores riscos (o Irão, em 1° lugar) ao país com melhores notas (a Finlândia, em 152°).

Trocado em miúdos, o Luxemburgo só é melhor do que 70 países a combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, recebendo no entanto pior nota que os restantes 81 países.

O país com melhor avaliação dos riscos de branqueamento de capitais é a Finlândia, seguindo-se a Estónia, a Eslovénia, a Lituânia e a Nova Zelândia.

No fundo da tabela fica o Irão, seguido pelo Afeganistão, o Tadjiquistão e a Guiné-Bissau, o quarto pior.

Portugal entre os países com melhor avaliação

Portugal surge em 12° lugar entre os países que melhor previnem o branqueamento de capitais, à frente de muitos outros Estados-membros, como a Dinamarca (15° lugar), a Bélgica (23°), o Reino Unido (28°), a França (29°) ou Espanha (45° lugar).

Moçambique, outro país de língua portuguesa, aparece no fundo da tabela, sendo considerado o sétimo país com maiores riscos, a pouca distância da Guiné-Bissau (4°). São-Tomé e Príncipe é o 21° país com maiores riscos de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, seguido de Cabo Verde (29°), Angola (34°) e Brasil (68°). 

A lista é elaborada com base nas avaliações da instituição, tendo também como fontes o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial ou a Transparência Internacional. A avaliação tem em conta as práticas e regulamentação existentes no sector financeiro para prevenir o branqueamento e o financiamento do terrorismo, verificando ainda se as medidas adoptadas estão de facto a ser cumpridas.

Esta é quarta edição do relatório desenvolvido pelo Instituto Basel, que começou em 2012 e que, desde então, diz a entidade, tem sido a única organização sem fins lucrativos a classificar os países de acordo com o seu risco de lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo.

Com sede na Suíça, o instituto trabalha com parceiros públicos e privados no combate à corrupção e crimes financeiros, incluindo o Banco Mundial, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, o FMI e a Interpol. 

P.T.A. / com agências