Lavagem de dinheiro no caso Sion fica com Polícia Federal

Ligação entre Flores e entidades de classe será alvo de nova apuração.


A Polícia Federal será acionada para investigar a série de crimes que estão por trás das mortes dos empresários Rayder Rodrigues, 38, e Fabiano Moura, 32, ocorrido em um apartamento do Sion, na região Centro-Sul da capital, no último dia 9.

Oito dias de depoimentos e levantamento de provas foram suficientes para a Polícia Civil constatar que os assassinatos dos sócios são a ponta do iceberg de uma rede muito bem organizada de lavagem de dinheiro, contrabando e crime organizado.

Os detalhes de como será o desmembramento dos inquéritos estão sendo avaliados pelos delegados que cuidam da apuração sobre o duplo assassinato. Para os investigadores, no entanto, não restam dúvidas: Frederico Costa Flores de Carvalho, 31, apontado como mentor e coautor da execução dos empresários, é a principal testemunha do esquema de lavagem de dinheiro.

Na Polícia Federal, os alvos são entidades sindicais, empresas e até mesmo gabinetes de políticos, que, supostamente se utilizaram do esquema fraudulento de emissão de notas fiscais para justificar gasto de dinheiro e ainda aquisição de produtos importados.

Depoimentos de pessoas ligadas a Flores e também à 404 Comunicações, empresa de publicidade da qual ele era sócio, confirmam a ligação entre o empresário acusado pelas extorsões e mortes e entidades sindicais.

Em grande parte delas, o cartão de visitas para a aproximação de Flores foi o primo do suspeito, o ex-delegado do Trabalho e ex-sindicalista Carlos Calazans, também alvo de chantagens, extorsões, tortura e violência sexual. Beneficiado por informações privilegiadas sobre irregularidades praticadas por seus alvos, Flores coagiu, torturou e matou até ser preso no último dia 13.

Polícia colhe depoimentos novos hoje

A polícia irá colher hoje novos depoimentos de testemunhas e suspeitos envolvidos no assassinato dos dois empresários. A expectativa do delegado chefe do Departamento do Investigação, Edson Moreira, é chegar a outros integrantes da quadrilha de Frederico Flores.
De acordo Moreira, as denúncias de que o primo de Flores, o ex-delegado regional do Trabalho Carlos Calazans, foi torturado pelo grupo só serão averiguadas posteriormente. (Tâmara Teixeira)

Investigação

Crime. Os cabos da Polícia Militar Renato Mozer e André Luiz responderão a processo na Justiça comum. Eles também são investigados pela própria PM e estão recolhidos em uma unidade da corporação.