Lava Jato prende no Rio ex-secretário Nacional de Justiça


A força-tarefa da Lava Jato no Rio prendeu nesta quinta-feira (5) o homem suspeito de ajudar na fuga de um dos empresários mais procurados pela própria Lava Jato. Os procuradores dizem que, para isso, ele usou o cargo que ocupava no Ministério da Justiça.

Astério Pereira dos Santos era o secretário Nacional de Justiça em 2017, no governo de Michel Temer, responsável pela estratégia do Brasil em combater a corrupção e a lavagem de dinheiro.

Mas os procuradores dizem que há indícios fortes de que ele usou o cargo para vazar informações sigilosas para um parceiro de negócios ilegais: Arthur Soares, dono dos maiores contratos com o governo do estado na gestão de Sérgio Cabral e acusado de pagar propina na compra de votos para o Rio ser a sede da Olimpíada de 2016. Ele ainda está foragido.

O sócio do empresário, Ricardo Siqueira Rodrigues, disse em delação premiada que Arthur Soares foi avisado que seria preso quando estava em Portugal. Contou que uma pessoa com acesso a documentos na Secretaria Nacional de Justiça ligou para ele, e que Arthur Soares revelou que quem trabalhava lá era Astério Pereira dos Santos.

Com a notícia, o delator diz que Arthur Soares foi às pressas para Miami, onde tem negócios e autorização para morar, e teria feito uma delação com as autoridades americanas.

O Ministério Público Federal afirma que, ao tomar conhecimento do pedido de prisão contra o empresário na época, Astério Pereira tinha todo o interesse em evitar a concretização da medida, pois proteger o amigo significava blindar a si próprio, já que todos estão envolvidos nos mesmos crimes.

Os procuradores dizem que Astério Pereira dos Santos usou um outro cargo importante que ocupou para cometer crimes. Ele é acusado de desviar dinheiro e pagar propina quando era secretário estadual de Administração Penitenciária.

As investigações apontam que, entre 2003 e 2006, no governo de Rosinha Garotinho, ele usava a autoridade de secretário para beneficiar uma empresa da qual era sócio nos contratos firmados com a secretaria, e que usou parentes como laranjas.

Nesta quinta-feira (5), em um posto do filho, a polícia encontrou R$ 100 mil em dinheiro vivo e outros R$ 118 mil no escritório de advocacia usado por Astério.

“Chama a atenção a gravidade ímpar de uma pessoa que detém conhecimentos técnicos e que, em tese, está imbuído no combate à corrupção, no combate à lavagem de dinheiro, utilizar desses conhecimentos justamente para praticar a corrupção e para praticar a lavagem de dinheiro”, analisou Felipe Bogado, procurador da República.

A defesa de Astério Pereira dos Santos disse que ele manteve uma vida exemplar; que prestou enorme serviço à sociedade como procurador e secretário de Justiça; que ele acredita na Justiça e que vai provar que a denúncia parte de informações inverídicas.

Jornal Nacional não conseguiu contato com os outros citados na reportagem.

Fonte: G1