Lava Jato denuncia executivos de empresa por corrupção e lavagem de dinheiro em contratos da Petrobras

Conforme o MPF-PR, investigados pactuaram no pagamento de propinas em contratos que somaram mais de R$ 400 milhões


A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou executivos da empresa Jaraguá Equipamentos Industriais S.A por corrupção ativa e lavagem de dinheiro em contratos da Petrobras que somaram mais de R$ 400 milhões.

A denúncia foi protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta segunda-feira (14). Cinco foram denunciados pela prática de crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro, e dois somente por lavagem de dinheiro. Dos sete, somente dois já tinham sido denunciados na operação, em 2014, segundo o MPF.

Conforme as investigações, os executivos prometeram pagamento de propina ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa relativo a quatro contratos para obras na Refinaria de Abreu e Lima (RNEST), da Petrobras.

Os valores iniciais totalizavam em conjunto R$ 400.440.776,38, segundo o MPF. As investigações apontam que, pelo menos, R$ 5.854.200,04 foram repassados pela Jaraguá Equipamentos, em operações de lavagem de dinheiro, a título de pagamento das propinas.

Denúncia

Segundo a denúncia, ficou comprovado o funcionamento de uma grande organização criminosa, pelo menos entre 2004 e 2014, dedicada à prática reiterada de ilícitos em certames e contratos da Petrobras.

Dentre os crimes praticados ganham destaque a frustração do caráter competitivo de licitações e o pagamento sistemático de propina, a mando de altos executivos de empresas nacionais e internacionais, por intermédio de profissionais da lavagem de dinheiro (operadores financeiros), aos diretores e gerentes da Petrobras, bem como aos agentes políticos que possuíam influência na estatal.

Como ocorria o repasse dos valores ilícitos

De acordo com o MPF, esses valores foram repassados pela empresa de duas formas.

A transferência de R$ 4.069.200,04 ocorreu por meio de transações bancárias fundadas em contratos e notas fiscais ideologicamente falsos, com a utilização de empresas controladas pelos operadores financeiros.

Outras oito transferências no valor total de R$ 1.785.000,00 ocorreram por meio de doações eleitorais oficiais, realizadas pela empresa a candidatos do Partido Progressista (PP) nas eleições de 2010, segundo as investigações.

O MPF ainda afirmou que as doações eleitorais aos integrantes do PP, responsáveis por manter Costa na posição de diretor da Petrobras, foram feitas após a contratação da Jaraguá Equipamentos na RNEST.

Segundo o procurador da República Roberson Pozzobon, essa é a 20ª ação penal oferecida pela Lava Jato em Curitiba nesse ano.

“Nesse caso, as investigações revelaram que um sócio e altos executivos da Jaraguá Equipamentos, não integrante do cartel de empreiteiras que loteava as obras da Petrobras, pagaram mais de R$ 5 milhões em propinas por conta de contratos de mais de R$ 400 milhões com a estatal”, explicou ele.

G1 tenta contato com a Jaraguá Equipamentos Industriais S.A e com todos os demais citados.