Lava Jato denuncia executivo de empresa americana por corrupção e lavagem de dinheiro

Ex-representante da Vantage Drilling teria oferecido US$ 31 milhões em propina a agentes públicos da Petrobras


O Ministério Público Federal no Paraná (MPF) denunciou, nesta quinta-feira (12), o executivo Paul Bragg pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Segundo os procuradores da força-tarefa Lava Jato, o ex presidente executivo (CEO) da empresa americana Vantage Drilling teria pago propina para Jorge Luiz Zelada, diretor internacional da Petrobras entre 2008 e 2012; Eduardo Vaz da Costa Musa, gerente-geral da área internacional entre 2006 e 2009; e para o PMDB, partido que indicara ambos aos cargos.

Segundo a investigação, o executivo – em conjunto com Hsin Chi Su, representante da empresa chinesa TMT, e Hamylton Padilha, lobista que atuava na Petrobras – repassou aproximadamente US$ 31 milhões. O objetivo era obter vantagem para a empresa americana no contrato de fretamento do navio-sonda Titanium Explorer, celebrado com a Petrobras no valor de US$ 1.816.000,00.

E-mails trocados entre os envolvidos são a principal evidência de que Bragg e, consequentemente, Vantage Drilling tinham ciência da ilegalidade. As mensagens eletrônicas também foram corroboradas por novo depoimento prestado, como colaboração, por Hamylton Padilha.

Auditorias

A Comissão Interna de Apuração instituída na estatal após o início da Operação Lava Jato apontou diversas irregularidades neste contrato, como a não submissão de pedido à diretoria executiva da estatal para o início das negociações e da contratação. A auditoria interna ainda constatou indícios de manipulações, a pedido de Zelada, de estudos que indicavam a necessidade da contratação deste navio-sonda.

Segundo o MPF, para operacionalização do esquema atuaram como intermediários na negociação – e posterior repasse das vantagens indevidas – os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques. Coube a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa. Raul Schmidt Junior realizou os pagamentos em favor de Zelada, enquanto João Augusto Rezende Henriques distribuiu a vantagem indevida ao PMDB. Todos fizeram os pagamentos mediante depósitos no exterior.

Em 2015, Zelada, Musa, Padilha e os lobistas Raul Schmidt Felippe Junior e João Augusto Rezende Henriques pelos mesmos fatos.