Justiça manda soltar advogado preso na Operação Houdini por suspeita de lavagem de dinheiro em Ribeirão Preto

Marcelo Gir Gomes é acusado de operar como laranja para movimentar R$ 1 milhão em propina de fraude dos honorários advocatícios pagos pela Prefeitura.


Justiça mandou soltar nesta quarta-feira (1º) o advogado Marcelo Gir Gomes, acusado de lavagem dinheiro em Ribeirão Preto (SP). Gomes foi preso preventivamente em maio deste ano na Operação Houdini, quarta fase da Operação Sevandija. Ele nega as acusações.

Para o Ministério Público, Gomes operou como laranja para movimentar R$ 1 milhão em propina paga ao advogado Sandro Rovani. O dinheiro era repassado pelo escritório da advogada Maria Zuely Librandi, acusada de integrar uma organização criminosa para obter um pagamento de honorários advocatícios indevidos pela Prefeitura. Uma das beneficiárias do esquema, segundo a Promotoria, era a ex-prefeita Dárcy Vera (sem partido).

A defesa apresentou um laudo médico que atesta que Gomes tem transtorno de personalidade dissocial, o que não permite que ele detecte que está sendo usado como laranja. Os advogados alegaram que o acusado é pai de três filhas menores e que ele está em dificuldades financeiras.

Ainda segundo a defesa, a quantia de R$ 402,7 mil que ele teria movimentado na fraude dos honorários é de “pouquíssima expressão monetária em relação ao referido montante” – o Ministério Público estima que mais de R$ 200 milhões foram desviados dos cofres públicos.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deu parecer contrário à soltura. De acordo com os promotores, “enquanto não houver rastreamento dos ativos e a identificação de sua localização, há risco de dissipação da garantia do ressarcimento”.

Ainda segundo os promotores, Gomes “possui larga experiência em artimanhas fraudulentas que renderam variedade de registros criminais em sua folha de antecedentes”.

Em sua decisão, o juiz Lúcio Alberto Enéas da Silva Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, considerou que o tempo de prisão cautelar já permitiu a colheita de provas e a formalização da acusação. Ele levou em conta a suspensão da licença de Gomes para advogar e o fechamento do escritório dele.

O juiz determinou a soltura, mas a condicionou ao recolhimento domiciliar noturno, a proibição de deixar Ribeirão Preto, a entrega do passaporte e o comparecimento a todos os atos do processo.

Operação Houdini
Gomes foi preso em maio deste ano na quarta fase da Operação Sevandija, denominada Operação Houdini. Além dele, foram denunciados o empresário Paulo Roberto Nogueira, o advogado Sandro Rovani e sua filha, Ana Cláudia Silveira Neto.

Para os promotores, Gir Gomes, Ana Cláudia e Nogueira teriam lavado dinheiro para Rovani, preso em Tremembé (SP) e acusado em outro processo da Sevandija por operar pagamentos ilícitos a agentes públicos da cidade, entre eles a ex-prefeita Dárcy Vera, por meio de um recolhimento indevido de honorários à advogada Maria Zuely Librandi.

O advogado é acusado de operar como laranja para movimentar R$ 1 milhão. A EPTV teve acesso a extratos bancários que registram um depósito de R$ 402 mil na conta de Marcelo Gir Gomes em 15 de setembro de 2016, duas semanas depois que a primeira fase da Sevandija foi deflagrada.

As investigações apontam que Gomes e Rovani continuaram operando dinheiro da propina paga a agentes públicos em Ribeirão Preto.

O Ministério Público sustenta que valores referentes a cheques emitidos por Maria Zuely Librandi foram depositados nas contas de uma empresa e de um comerciante até chegarem a Gomes.

Clientes vítimas
Após a deflagração da operação que prendeu Gomes, várias pessoas relataram ter sido vítimas de golpes que teriam sido praticados pelo advogado.

O empresário Fernando Jerônimo Baptistete Matarazzo, bisneto do Conde Francesco Matarazzo, afirmou que Gomes falsificou o pagamento de imposto referente ao processo de divisão de bens da família em 2006 para ficar com R$ 530 mil. Ele afirma que só não teve o prejuízo, porque uma tia do advogado acabou recolhendo o tributo e regularizando a situação.