Justiça Federal abre ação contra ex-banqueiro por ‘lavagem’, diz MPF


A Justiça Federal de São Paulo abriu ação penal contra o ex-controlador do Banco Santos S.A., Edemar Cid Ferreira, sua mulher, Márcia de Maria Costa Cid Ferreira, e seu filho, Eduardo Costa Cid Ferreira.

De acordo com informação divulgada ontem (17) pela assessoria de imprensa do Ministério Público Federal (MPF), os três são acusados de lavagem de dinheiro por terem ocultado, entre novembro de 2004 e dezembro de 2008, a origem, localização e propriedade de bens e valores provenientes da prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A denúncia foi feita pelo procurador do MPF Silvio Luiz Martins de Oliveira em 23 de abril deste ano. No dia 19 de maio, a Justiça aceitou a acusação e a família Cid Ferreira passou a ser ré no processo.

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa da Justiça Federal informou que não poderia confirmar a informação do MPF nesta terça-feira devido à dispensa mais cedo de funcionários por conta do jogo entre Brasil e México pela Copa do Mundo. O expediente será retomado na quarta-feira (18).

A equipe de reportagem também não localizou a defesa da família Cid Ferreira para comentar o assunto.

De acordo com o MPF, Cid Ferreira, sua mulher e o filho ocultaram obras de arte, como pinturas e esculturas, que teriam sido adquiridas com capital desviado do Banco Santos S.A.. Depois, obras teriam sido integralizadas ao patrimônio da Cid Ferreira Collection, Empreendimento S.A., que tinha por sócio majoritário a Wailea Corporation, empresa offshore com domicílio fiscal nas ilhas Virgens Britânicas.

Ainda segundo o Ministério Público Federal, em 2005, foram apreendidos na então residência do ex-banqueiro computadores com documentos e e-mails que indicam a remessa para o exterior de diversas obras de arte. Essas obras eram remetidas para fora do país e negociadas com compradores estrangeiros. Os valores recebidos teriam sido transferidos para contas correntes de terceiros mantidas no exterior em bancos estrangeiros.

Pela denúncia, tais movimentações são típicas compensações de créditos relacionadas a operações realizadas por Cid Ferreira no mercado nacional clandestino de câmbio.

“Os doleiros que compraram a moeda estrangeira do ex-banqueiro lhe indicavam em quais contas o valor correspondente deveria ser creditado. Em contrapartida, lhe entregavam moeda nacional em espécie para que pudesse custear o luxuoso estilo de vida mantido por ele e seus familiares, mesmo após ter levado o Banco Santos S.A. à falência”, escreveu o procurador Martins de Oliveira na denúncia.

De acordo com o MPF, Cid Ferreira, além de ser supostamente o principal beneficiário dos desvios que teriam ocorrido no Banco Santos S.A., também aparece como destinatário ou remetente de e-mails relacionados ao envio ao exterior das obras de arte. Para o procurador, ele sempre acompanhava as remessas e determinava as formas como seriam realizados os pagamentos relacionados às vendas das obras.

Ainda segundo a denúncia, Márcia teria participado de acordos com agentes estrangeiros no que se refere à movimentação das obras no exterior para a realização das vendas. Já o filho Eduardo seria responsável por tratar dos preparativos para o envio das obras para fora do país.