Jurados começam a deliberar sobre o veredicto de ‘El Chapo’

Três meses após o início das audiências, deliberação dos jurados está prevista para começar nesta segunda-feira (4); chefão pode pegar prisão perpétua


Três meses depois da primeira audiência, o julgamento do traficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán chega à sua semana decisiva. Nesta segunda-fera (5), os jurados começam a decidir sobre o futuro do chefão.

Guzmán é acusado de 11 crimes — inicialmente eram 17, mas a promotoria mudou as alegaçõs após os depoimentos —, incluindo tráfico de drogas, associação para o tráfico, assassinatos, corrupção, lavagem de dinheiro, entre outros. Se for considerado culpado, pode ser condenado à prisão perpétua.

Desde 5 de novembro, aconteceram 38 dias de audiência, nos quais falaram 56 testemunhas — 14 delas eram ex-colaboradores de Chapo que fizeram acordo de leniência com a Justiça dos EUA, para diminuir suas penas. Agora, a decisão está nas mãos dos jurados.

Argumentos Finais

Na última semana, a promotoria e a defesa apresentaram seus últimos argumentos na Corte Federal do Brooklyn, em Nova York. 

Os promotores passaram a última quarta-feira (30) listando os crimes dos quais Chapo é acusado. Apresentaram uma lista com dezenas de pessoas mortas a mando de Guzmán nos anos em que ele liderou o cartel de Sinaloa.

Segundo a acusação, a organização transportou centenas de toneladas de drogas para os EUA e o negócio rendeu bilhões de dólares para os envolvidos, especialmente Chapo.

Apenas entre 1990 e 1993, o cartel teria enviado entre 75 e 90 toneladas de cocaína, escondida em latas de molho chili. O lucro anual é estimado em US$ 500 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão).

Confusões com a defesa

 

Já os advogados de defesa fizeram sua última apresentação na quinta (31). Mais uma vez, eles afirmaram que o mexicano não passa de um bode expiatório e que o verdadeiro líder do cartel seria um homem apontado como seu sócio, Ismael “El Mayo” Zambada.

A defesa, que interrogou apenas uma testemunha ao longo de todo o julgamento, chegou a tentar afirmar que tudo seria uma conspiração entre os governos norte-americano e mexicano para livrar El Mayo de qualquer punição.

O juiz federal Brian Cogan, que preside o julgmento, interrompeu os advogados diversas vezes. No início das audiências, ele chegou a advertir o advogado Eduardo Balarezo, para que não fizesse afirmações que não pudesse provar.

Na argumentação final, Balarezo procurou desacreditar especialmente as testemunhas da acusação que fizeram acordo de leniência, como Vicente Zambada, filho de El Mayo, e o megatraficante colombiano Juan Carlos Abadía.

“Esse homem é um poço sem fim de imoralidade. Ele mata pessoas como você troca de cueca. Ele destruiu seu próprio rosto, até as orelhas, para fugir da polícia. Essa é a cara de um verdadeiro chefão das drogas, esse cara é assustador”, disse Balarezo sobre Abadía.