Julgamento de um dos maiores contrabandistas do país começa em SP

Quadrilha de Lobão chegava a movimentar R$ 1 milhão por dia, segundo MPF, e abastecia o comércio da capital e Grande São Paulo.


O julgamento do Roberto Eleutério da Silva, o Lobão, de 62 anos, um dos maiores contrabandistas do país, começou no início da noite desta quinta-feira (1º) na Justiça Federal de São Paulo.

Além de lobão, outras 20 pessoas estão sendo julgadas. A quadrilha, desmantelada durante a Operação Revanche, da Polícia Federal, em 2017, faturava pelo menos R$ 22 milhões por mês abastecendo o Estado.

Foram ouvidas as testemunhas de acusação: Quatro policiais federais e um policial militar. O delegado da Polícia Federal Ferreira Neto, que trabalhou nas investigações, disse que Lobão era o chefe da organização criminosa e que escutas telefônicas mostraram que a quadrilha corrompia policiais. Por enquanto, nenhum policial foi denunciado. Na próxima segunda (5), outros dois policiais federais que trabalham em Brasília deverão depor por videoconferência.

“Na verdade, o que se tem aqui são casos isolados de contrabandos de cigarro, mas não se trata e isso está cada vez mais claro que não se trata de organização criminosa, são casos isolados”, afirmou o advogado Carlos Alberto Costa Silva, defensor de Lobão.

Lobão foi preso em junho do ano passado e era investigado desde 1996. Ele já havia sido preso em 2003 e condenado em 2004 por lavagem de dinheiro e outros delitos.

Lobão já havia escapado de uma operação realizada pela PF em 2015, quando o contrabandista fugiu mesmo após estar preso.

Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo movimentava R$ 1 milhão por dia. A organização atuava na capital, Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Sorocaba.

O Ministério Público Federal divulgou que ele será julgado pela 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo nesta quinta e que, devido ao grande número de réus, o julgamento pode se estender por mais dias.

Durante a investigação que levou à prisão de Lobão, a polícia acompanhou a atividade dos criminosos, comprovando que Lobão agia no atacado de cigarros contrabandeados, usando 7 empresas de fechada para comprar e revender os produtos contrabandeados do Paraguai por R$ 4 o maço, preço inferior aos demais.

Corrupção de policiais

Para atuarem livremente, os criminosos pagavam propina para policiais civis, militares e federais.

A Operação Revanche durou cerca de um ano e meio e, nesse período, a PF aprendeu 667 mil maços de cigarros que pertenciam a quadrilha.

Em quantidade, o cigarro é o produto contrabandeado mais vendido no país. Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação, 55% do mercado brasileiro de cigarros estão nas mãos dos contrabandistas. Mesmo proibido, o cigarro paraguaio é o mais vendido no varejo.