Itália quer indiciar Banco da China e 297 pessoas por lavagem de dinheiro


Promotores da Itália querem indiciar o banco estatal chinês Banco da China e 297 pessoas por conexões com uma enorme investigação de lavagem de dinheiro, revelada pela agência de notícias Associated Press no início deste mês. Entre os suspeitos – em sua maioria imigrantes chineses que vivem na Itália – estão quatro altos executivos da agência do Banco da China em Milão. O caso traz à tona a grande economia chinesa ilícita na Europa e o fracasso do sistema judicial e da cooperação internacional em combater esse tipo de esquema.

Os promotores dizem que mais de 4,5 bilhões de euros em lucros com contrabando, prostituição, trabalho escravo e evasão de divisas foram enviados da Itália para a China em menos de quatro anos, utilizando um sistema de transferência de recursos do qual os imigrantes chineses são sócios. Quase metade desse dinheiro foi canalizada por meio do Banco da China, que por sua vez ganhou mais de 758 mil euros em comissões. Os promotores dizem que o dinheiro era dividido em pequenas quantias, para evitar chamar atenção. Os gerentes do banco e a equipe de auditoria não teriam reportado adequadamente transações suspeitas, ajudando a esconder a fonte e o destino dos recursos.

Segundo autoridades italianas, o governo chinês não estaria cooperando com as investigações. A Associated Press disse que conseguiu rastrear parte dos recursos, que teriam sido enviados para uma companhia estatal chinesa de importação e exportação. Em resposta às notícias da AP, o jornal estatal chinês Global Times publicou uma réplica defendendo o Banco da China e criticando a reportagem, classificada como "estranha". O artigo cita um especialista jurídico dizendo que o banco não tem "obrigação de cooperar com a polícia italiana".

O Banco da China nega qualquer irregularidade e os advogados da empresa de transferência de recursos da qual os suspeitos são sócios dizem que seus clientes não são culpados. Sob o sistema jurídico da Itália, um juiz vai considerar o pedido de indiciamento dos promotores, a partir do que poderá determinar a abertura de um julgamento ou recusar o caso. Uma decisão nesse sentido pode levar meses.