Investimentos em vinhas francesas sob suspeita de lavagem de dinheiro

Os avisos surgem num momento em que as exportações de vinho e conhaque estão a crescer para os mercados chinês e russo


As autoridades francesas, que fiscalizam questões relacionadas com lavagem de dinheiro, emitiram um aviso em relação às recentes aquisições de vinhas por parte de investidores russos e chineses, segundo o Financial Times.

A compra de terrenos vinícolas franceses por várias holdings com sedes em paraísos fiscais provocou o alerta da Tracfin, a entidade do ministério das Finanças francês que combate o branqueamento de capitais, para a necessidade destas operações de compra exigirem "forte vigilância". No relatório oficial pode ler-se que, "dada a complexidade das estruturas legais usadas para comprar terrenos vinícolas, o beneficiário final e as origens dos fundos podem ser difíceis de determinar”.

A Tracfin recebeu alertas relacionados com investidores russos, chineses e ucranianos. As autoridades francesas descreveram, em particular, as compras suspeitas de vinhas por parte de uma empresa sediada em Chipre, cujo proprietário é um cidadão russo.

Estes avisos chegam num momento em que as exportações de vinho e conhaque franceses estão a crescer para os mercados chinês e russo, impulsionando a procura por terrenos vinícolas em França, por parte de novos investidores.

Em concreto, os investidores chineses têm a região de Bordéus como a principal para investir, onde já adquiriram cerca de 40 espaços vinícolas, incluindo o castelo Grand Cru Classé Bellefont-Belcier, em Saint-Emilion. Por outro lado, os investidores russos parecem preferir a região de Cognac, mais a norte, onde compraram sete terrenos vinícolas, nos últimos oito anos.