Homem considerado o maior desmatador da Amazônia é preso

Empresário chefiava organização criminosa que desmatava e vendia terras públicas por até R$ 20 milhões. Dívida em multas é de R$ 47 milhões.


A Polícia Federal prendeu no Pará o homem considerado o maior desmatador da Amazônia. Segundo as investigações, o empresário chefiava uma organização criminosa que derrubava a floresta e vendia as terras públicas por até R$ 20 milhões. Só de multas, ele deve quase R$ 50 milhões ao Ibama.

Ezequiel Antônio Castanha está preso em Itaituba, oeste do Pará. Segundo a Policia Federal, o empresário é acusado de comandar uma quadrilha que agia na região onde o Ibama vem detectando os maiores focos de desmatamento ilegal na Amazônia: às margens da BR-163, entre os municípios de Novo Progresso, Itaituba e Altamira.

De acordo com as investigações, só no ano passado, a quadrilha invadiu florestas nacionais, reservas indígenas, assentamentos, e desmatou uma área equivalente a 15 mil campos de futebol. Mas a polícia acredita que a devastação seja bem maior porque os grileiros estariam na região há mais de 10 anos. Ezequiel foi capturado seis meses depois da Operação Castanheira, quando outras seis pessoas foram presas.

“Crime organizado é isso. Um faz o desmatamento, outro cuida da lavagem de dinheiro, o outro cuida de como as terras devem ser vendidas após ser desmatadas. Sem dúvida nenhuma, tratava-se da quadrilha mais organizada no desmatamento no estado do Pará”, afirma o Superintendente da Polícia Federal no Pará, Ildo Gasparetto.

Segundo o Ibama, só de multas por crime ambiental, o empresário deve R$ 47 milhões. A operação não se limitou apenas a investigar os crimes ambientais com o Ibama. Polícia, Ministério Público e Receita Federal também descobriram como a quadrilha movimentava os recursos obtidos com a venda ilegal dos lotes de terra. Segundo as investigações, Ezequiel Castanha organizou um esquema criminoso que desviou R$ 100 milhões em sonegação de impostos e lavagem de dinheiro.

“A quadrilha tinha corretores. Esses corretores buscavam compradores, produtores rurais no Sul, Sudeste do país e compravam essas áreas por R$ 5, 10, 15 milhões”, afirma o procurador da República Daniel Azeredo. 

O advogado Alberto Vila Cabano, que defende Ezequiel Castanha, afirmou que o empresário está sendo vítima de acusações infundadas e que vai provar a inocência no decorrer do processo.