Grupo investigado por lavagem de dinheiro e exploração de casas de jogos no RS tem bens sequestrados

Foram cumpridos 23 mandados de busca em Porto Alegre, Sapucaia do Sul e Xangri-Lá, no Litoral Norte. Foram sequestrados cerca de R$ 11 milhões em imóveis e veículos


A Polícia Civil realizou uma operação, na manhã desta terça-feira (30), de combate a um grupo suspeito de exploração de casas de jogos de azar e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Sapucaia do Sul e Xangri-Lá, no Litoral Norte.

Foram sequestrados cerca de R$ 11 milhões em imóveis e veículos que pertenciam à quadrilha. Também foram bloqueados os sigilos bancário e fiscal de 55 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas.

Durante as buscas, duas pessoas foram presas por posse de arma. Os policiais apreenderam quatro armas e aproximadamente R$ 20 mil em dinheiro.

Segundo o delegado Filipe Borges Bringhenti, o grupo tentava legalizar o dinheiro de casas de jogos através de laranjas e empresas.

“O objetivo é congelar esse patrimônio de forma cautelar, para no final da fase judicial, em caso de condenação, estes bens serem perdidos pelos investigados e a organização criminosa sofrer revés financeiro”, salientou o delegado.

A investigação durou aproximadamente nove meses.

Os policiais identificaram ainda a atuação de um escritório de contabilidade que ajudava na lavagem de dinheiro. Pelo menos um profissional tinha conhecimento de que as transações eram ilícitas. Ele, segundo a polícia, dava orientações de como esquentar o capital.

Para o delegado, esse tipo de consultoria ultrapassa o compromisso de assessoria técnica. O profissional vai responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A operação não tinha mandados de prisão para cumprir.

“Em outros casos, ainda em apuração, contadores, gerentes de contas e corretores de imóveis, transbordando a linha tênue da legalidade, enxergam que o dinheiro que os clientes manejam não é ‘limpo’, mas nada fazem para que as suspeitas sejam apuradas. Para estes, o dolo eventual poderá ser aplicado e na prática os profissionais responderão pelo mesmo delito daqueles que desejam a prática criminosa. O correto, nestes casos, seria comunicar o COAF acerca dos negócios jurídicos escusos que observaram, tomando esta providência para que as autoridades fossem informadas”, explicou Bringhenti.