Golpistas se passam por funcionários de bancos para roubar dinheiro de clientes no ES

Suspeitos se passavam por funcionários de agências bancárias e ofereciam ajuda aos clientes para conseguir senhas. Polícia Civil investiga caso


Estelionatários que se passam por funcionários de bancos para aplicar golpes em clientes são investigados pela Polícia Civil no Espírito Santo. Os suspeitos usam crachás falsos, oferecem ajuda na área de caixas eletrônicos e confundem as vítimas para conseguir senhas e realizar saques. Seis casos já foram denunciados, mas ninguém foi preso até o momento.

A investigação que apura o golpe batizado de “Posso Ajudar?” aponta que os crimes foram aplicados em agências bancárias de Campo Grande, em Cariacica, na Praia do Canto, em Vitória, e em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. Outros estados também já registraram esse tipo de ação.

Um caminhoneiro de 68 anos, que não quer ser identificado, está entre as pessoas lesadas pelos criminosos. Ele revela que teve R$ 3 mil retirados de sua conta após receber “ajuda” em um caixa eletrônico de um suposto funcionário de uma agência do Banco do Brasil.

“Ele se aproximou me oferecendo ajuda em uma máquina, aí aquela máquina não deu certo e ele me levou em uma outra. Da outra foi para outra, da outra para a outra e foi me confundindo. Depois, fui olhar meu saldo e tinha sido retirado o dinheiro. Ele usava crachá igualzinho ao do Banco do Brasil, além de uniforme, gravata, blusa de frio, estava bem arrumado, não suspeitei de nada”.

O caminhoneiro é correntista do banco há 40 anos, informou ao gerente da agência sobre o golpe e foi ressarcido do valor. “Quando vi o acontecido, eu saí do chão. Só tinha aquele dinheirinho para pagar os compromissos”, afirmou.

O golpe
 

Imagens de câmeras de videomonitoramento que foram cedidas pelas agências bancárias à Polícia Civil mostram a forma como os golpistas agiam.

Primeiro, um homem aborda a vítima se identificando como funcionário do banco e oferece ajuda. Depois, ele troca a vítima de caixa eletrônico várias vezes alegando problemas de funcionamento, enquanto um segundo criminoso aproveita que a pessoa está desatenta e rouba a senha para realizar o saque.

A polícia explica que um terceiro estelionatário também circula pelo local para tumultuar e tirar a atenção dos verdadeiros funcionários da agência.

Delegada faz alerta

A delegada Rhaiana Bremenkamp, que apura o golpe “Posso Ajudar?”, afirma que o esquema burla as regras básicas de segurança que são orientadas pelas autoridades à população.

“A partir do momento que a gente fornece a informação para o idoso que ele deve procurar uma agência em horário bancário, evitar final de semana e contar com a ajuda só do funcionário, e vem criminosos se passando por funcionários com agências lotadas praticando esse tipo de crime, realmente não tem como o idoso saber que ele está sendo uma vítima. Esses criminosos são muito ousados”, disse.

A delegada explica que os criminosos podem responder criminalmente por furto mediante fraude, estelionato e associação criminosa. Ela orienta que as pessoas adotem novos cuidados na hora de utilizar a área de caixas eletrônicos nos bancos.

“A gente pede que a população tenha ainda mais atenção, que orientem seus idosos, que procurem ir acompanhadas ao banco. E, claro, tudo depende da senha. Quando for ao caixa, tente tapar com o corpo a senha para ninguém visualizar e, ao mudar de máquina, encerre a operação”, pontuou.

Rhaiana Bremenkamp acredita que novos casos devem ser denunciados a partir do momento em que as pessoas forem tomando conhecimento de como agem os suspeitos.

“Recebemos informações de que uma outra associação criminosa pode também estar agindo aqui na Grande Vitória. Já iniciamos as investigações e recebemos contatos de algumas vítimas denunciando o golpe”, concluiu.

Banco do Brasil

O Banco do Brasil disse que está colaborando com as investigações da Polícia Civil e que orienta os clientes a não aceitarem ajuda de estranhos. A empresa declarou ainda que senhas não devem ser fornecidas nem mesmo para funcionários.

Além disso, o Banco do Brasil pontuou que investe em tecnologia e aumenta a segurança de dados dos clientes para evitar que eles sejam vítimas de criminosos.