Gerentes do Banco do Brasil são presos por golpe de R$ 60 milhões

Os dois bancários e mais quatro pessoas são suspeitos de integrar o grupo responsável pela fraude. Os gerentes afirmaram que foram forçados a realizar as transferências fraudulentas, mas a Polícia não acredita na versão da dupla


Os gerentes do Banco do Brasil Pedro Eugênio Leite e Celso Luiz Grillo de Lucca foram presos, na tarde de ontem, em uma operação da Polícia Civil em parceria com o Ministério Público no Município de Pentecoste, distante 92Km de Fortaleza. Os bancários são suspeitos de integrar uma organização criminosa interestadual suspeita de desviar R$ 59 milhões do Banco do Brasil. Segundo a Polícia, há suspeita que eles forjaram o próprio sequestro para realizar as transações fraudulentas. Outros três integrantes do grupo foram presos em São Paulo e um em General Sampaio, no Ceará.

Conforme o diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), Marcos Aurélio de França, o setor de inteligência do banco verificou que havia um golpe em andamento, no qual criminosos criaram um débito na agência de General Sampaio e creditaram integralmente em uma conta no Estado de São Paulo, auxiliados por funcionários do banco. A investigação foi comandada pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) e pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE), da Polícia Civil cearense. 

Operações

Com o crédito na conta, os operadores passaram a fazer a “pulverização dos valores”. Dois homens e uma mulher foram presos, no dia 23 deste mês, na cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, enquanto faziam diversas operações financeiras. 
Na ocasião, foi verificado que um dos presos havia recebido em sua conta R$ 59.998.765,00. O dinheiro, segundo as investigações, foram desviados de contas por meio de aviso de crédito feito pelos gerentes. 

Também no último dia 23, na cidade de General Sampaio foi preso, no interior da agência do Banco do Brasil, um homem natural de Contagem, em Minas Gerais, identificado como Jefferson Alves. Com o andamento das investigações, Jefferson revelou a participação no esquema criminoso de Pedro Leite e Celso de Lucca, gerentes das agências de General Sampaio e Tejuçuoca. 

Confrontados sobre a participação na liberação dos valores, os bancários afirmaram que teriam sido sequestrados em Fortaleza e estavam agindo sob ameaça. De acordo com o delegado Victor Pinhona, os gerentes alegaram que foram coagidos, durante três dias, a realizarem a transação financeira, entretanto, conforme os investigadores, “os fatos não sustentam tal versão”. 

Os gerentes foram flagrados por câmeras de um hotel em Fortaleza e dentro da agência de General Sampaio na companhia do suspeito Jefferson. Diante das inconsistências nos depoimentos, foi solicitada a prisão dos bancários. O juiz Caio Lima Barroso acatou o pedido e decretou a prisão temporária por cinco dias dos dois gerentes. 

De acordo com as informações da Polícia Civil, para movimentar as quantias, o grupo necessitava da assinatura digital dos dois gerentes. A pedido do Ministério Público, por meio do promotor Jairo Pequeno, a Justiça bloqueou as contas que receberam os valores desviados, com base na lei de lavagem de dinheiro. Na tarde de ontem, o promotor também solicitou a conversão da prisão temporária em preventiva.

Os advogados dos gerentes não quiseram comentar as prisões. A defesa de Jefferson não foi localizada. O Banco do Brasil afirmou, em nota, que “a conduta de funcionários do banco envolvidos em irregularidades é analisada sob o aspecto disciplinar. De acordo com as normas internas, as soluções administrativas passíveis de aplicação vão desde a advertência e suspensão até destituição do cargo, demissão sem justa causa e demissão por justa causa”.