FBI fecha site de venda de drogas que gerou US$ 1 bi

Dono do Silk Road, que operava há quase três anos, é preso nos EUA. Ross Ulbricht, 29, criador do mercado virtual, contratou policial infiltrado para assassinar desafeto


Quase tudo sobre o Silk Road estava envolto em mistério. Ele surgiu em 2011 como um mercado on-line clandestino para usuários de drogas, um site no qual maconha, LSD, ecstasy e medicamentos de venda controlada podiam ser comprados de fornecedores de todo o mundo.

As atividades do Silk Road se estenderam a outros bens ilícitos, tais como documentos falsificados, e o site logo se tornou uma versão mercado negro do eBay, no qual criminosos podiam executar transações com mais de 100 mil clientes.

O mercado funcionava sob um princípio essencial: todos permaneciam anônimos. Os usuários só tinham acesso à rede por meio de software cujo objetivo é garantir o anonimato. Cartões de crédito e PayPal não eram aceitos. O meio de pagamento mais comum era a moeda virtual bitcoin, e mesmo essas transações eram cifradas.

E o cérebro que controlava o Silk Road era uma figura envolta em mistério, conhecida como "Dread Pirate Roberts", um personagem do filme "A Princesa Prometida".

Mas o Silk Road deixou de funcionar nesta semana e seu dono foi desmascarado: trata-se de Ross Ulbricht, 29, acusado, entre outras coisas, de pedir que um homem matasse um dos comerciantes do Silk Road que havia ameaçado revelar as identidades de outros usuários do site.

Ulbricht é acusado ainda de solicitar a um agente infiltrado do FBI que matasse um ex-funcionário do Silk Road.

Agentes do FBI seguiram Ulbricht a uma biblioteca de San Francisco na terça-feira, e o detiveram por acusações de tráfico de narcóticos e lavagem de dinheiro.

Ele morava com os pais em Austin, Texas, até o final do ano passado, quando se mudou para San Francisco a fim de tirar vantagem do espírito empreendedor da cidade.

Lá, Ulbricht criou uma vida anônima. Alugou um quarto em um apartamento, e disse às duas pessoas com as quais dividia o imóvel que seu nome era Josh.

E lá ele faturou muito dinheiro, segundo a queixa federal. O FBI conseguiu obter uma imagem do servidor do Silk Road na web, que indicava que o site tinha receita de vendas de mais de 9,5 milhões de bitcoins, o que equivaleria hoje a US$ 1,2 bilhão.

De acordo com especialistas em tecnologia, o Silk Road era responsável por algo como a metade das transações envolvendo bitcoins.

Os investigadores acreditam que Ulbricht tenha recolhido comissões de mais de 600 mil bitcoins, o equivalente a US$ 80 milhões, e estão tentando ganhar acesso a esse dinheiro. Até o momento, as autoridades confiscaram 26 mil bitcoins, o equivalente a cerca de US$ 3,6 milhões.

Em julho, investigadores norte-americanos surgiram na casa de Ulbricht depois que uma busca rotineira em correspondência enviada do Canadá revelou alguns documentos falsificados de identidade contendo a foto e nome de Ulbricht.

Ele não disse muito aos investigadores, mas sugeriu que, hipoteticamente, qualquer pessoa podia obter documentos falsificados de identidade em um site chamado Silk Road.

Tradução de Paulo Migliacci