Família de ‘doleiro nº 1’ da Lava-Jato usou documento de morto para operação bilionária

Apontado como responsável pela movimentação de quase US$ 5 bi faleceu três anos antes


BRASÍLIA – O esquema investigado pela Operação Perfídia da Polícia Federal teria utilizado documentos de uma pessoa morta em 2013 para uma transação financeira de quase US$ 5 bilhões no ano de 2016. A Operação tem como alvo principal a advogada Cláudia Chater, prima do doleiro Carlos Habib Chater, primeiro preso na Operação Lava-Jato e dono do posto de combustíveis que deu origem à investigação mais famosa do país. Cláudia foi presa temporariamente nessa quarta-feira, enquanto que Carlos foi conduzido coercitivamente.

A transação bilionária foi a venda de 1,5 trilhão de bolívares venezuelanos da ofsshore Global Recreative Sistem, com sede na Venzuela, para uma instituição financeira de e banking com sede na Dinamarca no dia 20 de abril de 2016. Segundo a PF, o montante equivale a US$ 4,8 bilhões. Quem assina o documento pela Global, porém, é um brasileiro que de acordo com os dados da Receita Federal teria falecido em 2013. De acordo com os dados, o CPF foi cancelado no mesmo ano por encerramento do espólio. Em 2014, porém, um novo CPF foi emitido exatamente com os mesmos dados e além da transação bilionária há o registro de utilização do mesmo documento para a abertura de uma pequena transportadora e emissão de passaporte. A offshore foi posteriormente transferida para uma pessoa que já era investigada por estelionato e para um vigilante. Segundo a PF, ambos seriam laranjas.

A investigação começou com a prisão de um jordaniano com documento falso no aeroporto de Brasília em agosto de 2016. Identificou-se que a advogada Cláudia Chater estaria por trás da emissão deste e de outros documentos. Uma busca realizada em endereços ligados a ela em dezembro passado chegou à documentação relativa a offshore e dezenas de outras empresas que, segundo a PF, seriam utilizadas para lavagem de dinheiro.

Entre as operações suspeitas está a compra de uma fazenda de R$ 68,5 milhões no interior da Bahia pela Global em novembro de 2016. Cláudia teria intermediado a negociação e recebido uma comissão de R$ 1,5 milhão. A empresa utilizada para a intermediação era uma agência de turismo de um irmão da advogada. Estão sob suspeita ainda a aquisição de duas propriedades rurais, lotéricas e postos de combustíveis que pertenceriam a pessoas da família Chater.

O doleiro Carlos Habib Chater já cumpriu parte de sua pena na Lava-Jato e está em regime aberto desde o ano passado, tendo retornado à administração do posto que deu origem à operação. A PF não encontrou ainda vínculo direto entre a atividade que levou a sua condenação na Lava-Jato e aos negócios que teriam sua prima como líder, mas Carlos foi conduzido coercitivamente por supostamente auxiliar na parte de lavagem de dinheiro do esquema sob investigação.