Faltam procuradores para investigar lavagem de dinheiro

Representante do MPF diz selecionar investigações por conta do elevado número de casos e do escasso número de pessoas


Alguns procuradores do país têm recebido com cada vez menos entusiasmo os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicando suspeitas de lavagem de dinheiro.

Para alguns ouvidos pelo iG, ao longo dos últimos anos muitos casos que demandaram grandes esforços investigativos acabaram em resultados sem consistência para apresentação de uma denúncia formal.

Além disso, representantes do Ministério Público Federal em algumas cidades reclamam da falta de recursos humanos para avançar em todas as investigações sugeridas pelo Coaf. Em geral, os procuradores se pautam pelo volume de recursos envolvidos, pelos danos ao setor público ou pela gravidade do crime, para destacar ou não atenção para a denúncia.

Nos últimos anos, varas específicas foram criadas pelo país apenas para julgar esses casos, mas esse avanço não foi acompanhado pela multiplicação dos procuradores.

“Temos que ser seletivos, priorizando aqueles casos com grande perspectiva de êxito”, diz Deutan Martinazzo Dallagnol, procurador da República do Paraná, que atuou em grandes casos de lavagem de dinheiro, como o do Banestado, que envolveu quantia de cerca de US$ 30 bilhões. “Grande parte dos relatórios do Coaf, talvez a maioria, não leva a um crime antecedente, que se pode encontrar”, diz Dallagnol.