Ex-diretor do FMI é condenado à prisão por corrupção na Espanha

Em sua gestão na Caja Madri, Rodrigo Rato permitiu a evasão de 2,6 milhões de euros por meio dos cartões usados por funcionários


O Supremo Tribunal de Espanha confirmou nesta quarta-feira ,3, a pena de quatro anos e meio de prisão imposta ao ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Rodrigo Rato por um caso de corrupção quando ele presidia o banco Caja Madrid.

Rato, de 69 anos, tinha sido condenado inicialmente pela Audiência Nacional, em 2017, por apropriação indevida de patrimônio dessa entidade. Ele usara os cartões de crédito corporativos para pagar despesas pessoais.

Gastou sozinho mais de 99.000 euros com os cartões do banco entre 2010 e 2013. Desse valor, 3.600 euros foram usados comprando bebidas alcoólicas, 2.500 em obras e eventos de arte e 2.172 em discotecas e clubes.

O ex-banqueiro foi vice-primeiro-ministro espanhol e ministro da Economia durante a gestão de José María Aznar. Esteve à frente do FMI entre 2004 e 2007, e chegou em 2010 à presidência do Caja Madrid, onde ficou até 2013.

Rato não será levado automaticamente à prisão. Poderá valer-se do prazo de até dez dias para apresentar-se voluntariamente para o início do cumprimento da pena.

Além do ex-diretor do FMI, outros catorze ex-diretores e ex-conselheiros do Caja Madrid foram condenados pelo Supremo a penas de prisão superiores a dois anos. Alguns outros funcionários tiveram suas penas reduzidas.

O sistema de cartões corporativos permitiu a Rato, seu antecessor, Miguel Blesa, e a outros diretores da entidade bancar despesas pessoais e sacar dinheiro sem controle nem justificativa.

Os condenados devolveram o dinheiro gasto com os cartões à entidade. Ainda assim, seus recursos não foram acatados antes da realização do julgamento, e o tribunal decidiu confirmar a condenação do ex-diretor do FMI.

Os envolvidos no escândalo atuaram como se fossem “donos do dinheiro”, investindo as quantias que consideraram oportunas em despesas que eles mesmos decidiram, por isso o Supremo reconheceu que o patrimônio da entidade foi prejudicado.

No total, os acusados gastaram mais de 12 milhões de euros, dos quais 2,6 milhões de euros correspondem ao período de Rato na presidência do Caja Madrid.

Além dessa sentença, o ex-diretor do FMI responde a outros processos na Justiça espanhola. Um deles é referente à saída da bolsa de valores do Bankia, entidade que nasceu da fusão de vários bancos, entre eles o Caja Madrid. Também é acusado por crime fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.

Outro ex-diretor-gerente do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn, também se envolveu em escândalos. Ele foi obrigado a deixar o cargo, em 2011, depois de ser acusado de ter atacado sexualmente a camareira de um hotel em Nova York.

As acusações criminais contra Strauss-Kahn foram retiradas depois que a Procuradoria americana considerou que não havia provas físicas suficientes contra o político e que o depoimento da camareira não era convincente.