Ex-presidente do BC, Franco é mais um a prever catástrofes na economia brasileira


A volatilidade cambial deve ser crescente até as eleições presidenciais do ano que vem, não apenas pela incerteza dos investidores em relação à política do Banco Central (BC), mas devido ao ambiente político e social mais tenso no país. A avaliação catastrófica, em linha com outros analistas financeiros da oposição no Brasil, é do economista tucano Gustavo Franco, presidente do Banco Central do Brasil de agosto de 1997 a março de 1999, hoje presidente do conselho da Rio Bravo Investimentos.

– Daqui até as eleições o período será de crescente volatilidade nas duas direções – disse ele, durante o 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão (SP).

De turbulências, o economista entende. Franco, em 1996, como diretor da área externa do Banco Central, liberou a realização de operações cambiais com cinco bancos na região da Tríplice Fronteira, para “tornar mais transparentes” as remessas de dinheiro entre tais países. Ocorreu que, em abril de 1997, alertado pelo próprio Franco, o Banco Central comunicou ao Ministério Público a existência de irregularidades e foi acusado pelo senador José Mentor (PT) de facilitar a evasão de divisas, sendo indiciado por isso e por lavagem de dinheiro no relatório final produzido pela CPI.

Na visão dele, a insegurança sobre os fundamentos macroeconômicos no Brasil está estabelecida e torna os mercados financeiros mais sensíveis a qualquer fato novo.

– Volatilidade é isso, uma hipersensibilidade ao noticiário – afirmou, em linha com o tom pessimista que domina a mídia conservadora brasileira, a ponto de virar notícia em uma publicação britânica especializada em macroeconomia. Segundo a revista The Economist, o pessimismo no Brasil “é uma arma da oposição”.

Segundo Franco, o mercado parece não saber quais são as prioridades do Banco Central e quais políticas serão usadas para atingi-las, e apenas uma clareza sobre estes assuntos poderia reduzir a volatilidade. Neste contexto, os fundos de investimento multimercado tendem a aumentar suas posições especulativas, enquanto as multinacionais aumentam as operações de hedge, afirmou.

Além da política do BC, o cenário de incerteza é agravado pela proximidade com as eleições, que gera maior ansiedade, e pela tensão social que deve ocorrer no período da Copa do Mundo, a exemplo do que ocorreu em junho em meio à Copa das Confederações, quando uma onda de manifestações populares se alastrou pelo país, avalia o economista. O ex-presidente do BC questionou o fato de a autoridade monetária ainda não ter usado recursos das reservas internacionais para atuar no mercado, já que este é um “instrumento mais forte” para conter a desvalorização do real.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, anunciado na sexta-feira, Franco teve que dar o braço a torcer.

– O número é bem-vindo e surpreendente diante dos indicadores que aconteceram antes – disse Franco. Por isso, ele acredita que o crescimento anual do PIB poderá ficar acima de 2%, quando antes sua previsão era de que ficasse abaixo deste patamar.