EUA investigam possíveis subornos pagos por Walmart no Brasil

Varejista teria pago US$ 500 mil para obter autorização para lojas em Brasília


NOVA YORK – Uma investigação nos Estados Unidos sobre possíveis subornos pagos pela rede varejista Wal-Mart no exterior encontrou evidências de provável conduta indevida da companhia no Brasil, informa o “Wall Street Journal”. A rede teria contratado um indivíduo, por US$ 500 mil, entre os anos de 2009 e 2012, com o objetivo de conseguir autorização para construir duas lojas em Brasília.

De acordo com o “WSJ”, advogados do Departamento de Justiça e da Securities and Exchange Commission (SEC, xerife do mercado financeiro americano) viajaram ao Brasil neste mês para entrevistar testemunhas, conforme fontes ligadas ao assunto.

Os promotores americanos estão avaliando se o alto escalão do Wal-Mart no Brasil sabia e aprovou os pagamentos suspeitos. O inquérito está nos estágios iniciais e não está claro se alguém já foi indiciado, conforme o diário americano.

Procurado pelo “WSJ”, um porta-voz da varejista afirmou que a companhia está colaborando com o governo e não tem comentários.

Os possíveis pagamentos no Brasil foram descobertos no bojo de uma investigação sobre subornos no México. Se comprovado o crime no Brasil, o caso pode se tornar uma ação multinacional contra a companhia e levar a uma multa pesada.

Conforme a reportagem, o governo americano tem evidências de empregados do Wal-Mart discutindo a contratação de uma pessoa – uma mulher que já havia ocupado uma posição no governo – para obter as permissões, conforme solicitação enviada pelo Departamento de Justiça dos EUA a autoridades brasileiras em 6 de janeiro deste ano. Os promotores têm evidências de que o Wal-Mart fez os pagamentos indiretamente, por meio de intermediários.

De acordo com o documento, a varejista estava preocupada com a demora na obtenção de licenças. A mulher contratada teria reputação de ser rápida na obtenção de autorizações, “como por mágica”, de acordo com texto enviado ao Brasil, e teria cobrado cerca de dez vezes o que outros intermediários receberiam.

Mas, ainda assim, não está claro se o dinheiro foi usado para propinas.