EUA começam a devolver à Malásia dinheiro desviado em trama de corrupção


Bangcoc, 7 mai (EFE).- As autoridades dos Estados Unidos começaram a devolver à Malásia parte dos US$ 1,7 bilhão desviados do fundo de investimento estatal malaio 1MDB, em um caso de corrupção que propiciou a queda do ex-primeiro-ministro malaio Najib Razak, informaram nesta terça-feira fontes oficiais.

A primeira devolução foi de US$ 60 milhões que a produtora de cinema Red Granite Pictures, fundada pelo enteado de Najib e responsável por filmes como “O Lobo de Wall Street”, acordou pagar como multa, indicou o procurador-geral da Malásia, Tommy Thomas, em comunicado.

O dinheiro, do qual foram descontados cerca de US$ 3 milhões para cobrir as despesas do Departamento de Justiça dos EUA e do FBI, foi depositado em uma conta do 1MDB (1Malaysia Development Berhard), acrescentou o procurador.

Segundo Thomas, as autoridades dos EUA preparam a devolução de outros US$ 139 milhões procedentes da venda da participação em um hotel em Manhattan do empresário Jho Löw, foragido da justiça, próximo a Najib e considerada peça-chave no desvio de dinheiro do fundo.

Os EUA cifraram o dinheiro desviado do 1MDB em US$ 4,5 bilhões dos quais uma quarta parte teria sido lavada nos EUA com a compra de propriedades imobiliárias, iates, joias e obras de arte.

Um destes bens é o iate de luxo Equanimity, apreendido pelas autoridades indonésias a pedido da justiça malaia, que foi leiloado em abril por US$ 126 milhões.

No total, a Malásia recuperou bens avaliados em US$ 322 milhões desviados do 1MDB desde que a investigação por irregularidades no fundo foi reaberta após as eleições de maio do ano passado, indicou o procurador-geral.

As eleições determinaram a derrota da coalizão liderada por Najib, que desde então recebeu 42 acusações, entre elas de lavagem de dinheiro e abuso de poder.

O ex-mandatário é julgado pelas sete primeiras acusações neste escândalo de corrupção, que foi revelado pelo jornal “The Wall Street Journal” e o portal “Sarawak Report”, que em julho de 2015 o acusaram de desviar US$ 681 milhões do 1MDB para as contas privadas.