Esquemas de lavagem estão mais complexos


Esquemas de lavagem de dinheiro com o uso de fundos têm se tornado mais complexos nos últimos anos. À medida que paraísos fiscais, pressionados por organismos internacionais, passaram a adotar regras para evitar a lavagem de dinheiro, especialmente do narcotráfico, terrorismo e corrupção, os mecanismos criados para lavar dinheiro também evoluíram – como a montagem de estruturas societárias complexas que envolvam sócios também offshores. "Mesmo que um fundo titular de uma conta bancária seja identificado, ele pode ter sido aberto por um outro fundo, aberto por um terceiro fundo e assim sucessivamente", diz Pedro Gomes Pereira, especialista em recuperação de ativos.

De acordo com Pereira, que trabalha no International Centre for Asset Recovery (Icar), braço do Basel Institute on Governance, organização sem fins lucrativos com sede na Suíça que atua na assistência a governos para recuperar ativos desviados dos países, hoje o principal esquema de lavagem de dinheiro utilizado por criminosos é o uso de fundos estrangeiros.

A modalidade, no entanto, não é nova. O caso brasileiro mais conhecido é o do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), investigado em um inquérito por lavagem de dinheiro supostamente obtido de forma ilícita durante obras realizadas enquanto era prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996. De acordo com o Ministério Público Federal, o dinheiro foi enviado para uma conta em Nova York e em seguida para contas no paraíso fiscal de Nova Jersey. De lá, segundo o MP, migrou para fundos de investimento locais e retornou ao Brasil na forma de investimentos na Eucatex, empresa da família do ex-prefeito. Desde 2007 o inquérito está parado no Supremo Tribunal Federal (STF), para onde migrou por conta do foro privilegiado a que o deputado federal tem direito em função do cargo.