Esquema de lavagem de dinheiro do PCC é descoberto na Baixada Santista


Toneladas e toneladas de cocaína enviadas do Brasil para o exterior, bilhões de reais movimentados e um esquema sofisticado para lavar esse dinheiro de origem criminosa. Veja como funcionava essa operação do crime na reportagem exclusiva de Rodrigo Hidalgo para o Jornal da Band.

Flagrantes de cocaína pura, encontrada em maio a cargas para exportação para a Europa, já viraram rotina no Brasil. Só no primeiro semestre do ano, foram apreendidas em portos brasileiros 27 toneladas da droga, avaliadas em quase um bilhão de euros – cerca de seis bilhões de reais. A quantidade foi um recorde para o período, sendo a maior parte foi apreendida no de porto de Santos, no litoral paulista.

Mas como o crime organizado faz para disfarçar e movimentar os recursos que obtém com o narcotráfico internacional?

Uma grande investigação da polícia, mantida em sigilo, apura o esquema de lavagem de dinheiro envolvendo grandes traficantes que atuam na Baixada Santista. Um dos maiores traficantes do País é André Oliveira Macedo, o André do Rap, que faz parte da cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi preso em setembro do ano passado em uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Para a polícia, André do Rap não agia sozinho na lavagem de dinheiro.

Lavagem de dinheiro com festas e eventos

A equipe do jornalismo da Band teve acesso com exclusividade ao inquérito da Polícia Civil. Um dos principais alvos da investigação é um jovem empresário – apontado como braço direito do megatraficante.

Fredy da Silva Bento passou a chamar a atenção das autoridades nos últimos anos pela diversidade e crescimento nos negócios. Ele promove grandes eventos em São Vicente, no litoral paulista, e tem contrato com a prefeitura para organizar festas e o aniversário da cidade.

Segundo os investigadores, as festas e eventos seriam maneiras de esquentar dinheiro do crime organizado. Ao se aprofundar sobre o patrimônio de pessoas próximas a Fredy na Baixada Santista, os policiais descobriram restaurantes, lojas de roupa, imóveis, um camelódromo e até mesmo uma ONG que atende crianças carentes. A suspeita é que tudo isso também seja usado na lavagem de dinheiro.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que é ameaçado de morte por investigar o crime organizado, explica que o uso de laranjas é fundamental no esquema do PCC.

“Esses indivíduos também integram essa logística da organização criminosa. Se não tivesse esses empresários, dificilmente [a facção] conseguiria finalizar esse processo de lavagem [de dinheiro]”, afirmou o promotor à reportagem.

Defesa

Fredy nega participação em qualquer esquema criminoso. Na internet, ele postou um vídeo dizendo que seu patrimônio é fruto do seu trabalho.

A polícia pediu à Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, para poder avançar nas investigações e atingir o braço financeiro da facção.

Nesta sexta-feira, 14, o Jornal da Band exibe outra reportagem exclusiva sobre a existência de um suposto esquema de lavagem de dinheiro de traficantes por meio de um esquema de pirâmide financeira.

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Fonte: Band