Escândalo aponta lavagem de dinheiro com imóveis na Espanha


(Bloomberg) — Uma parte dos US$ 230 milhões implicados em um amplo escândalo de lavagem de dinheiro na Europa acabou sendo investida em imóveis na Espanha, segundo promotores de combate à corrupção em Madri

A investigação, que segue uma pista originada na Rússia, amplia um inquérito que até agora havia se concentrado nos estados bálticos e bancos escandinavos, como o Danske Bank e Swedbank AB. A investigação espanhola alega que um esquema de lavagem de dinheiro movimentou cerca de 35 milhões de euros (US$ 39 milhões) por meio de contas na Moldávia, Ucrânia e Lituânia e depois via Estônia para a Espanha, fornecendo novos detalhes sobre o destino final de parte do dinheiro. 

Os fundos “foram lavados desde 2008 por meio de uma estrutura internacional de empresas, bancos e países que têm pouca ou nenhuma transparência ou colaboração financeira ou processual”, segundo denúncia dos promotores espanhóis Juan José Rosa Alvarez e José Grinda Gonzalez, que foi registrada em um tribunal de Madri na terça-feira.

Os juízes da Corte Nacional da Espanha devem agora decidir se continuam investigando o caso e, em seguida, se haverá julgamento. Um juiz que participa das investigações também deve determinar se os indivíduos e instituições mencionados na denúncia devem ser considerados testemunhas ou réus.

As autoridades espanholas se unem aos governos na Europa e Estados Unidos que investigam o caso que ficou conhecido como o “dinheiro de Magnitsky”. O investidor William Browder lidera a acusação, chocado pela prisão e posterior morte de seu advogado russo, Sergei Magnitsky, que tentava expor a fraude de US$ 230 milhões.

Embora as transferências ilícitas sob investigação, em muitos casos, tenham origem há uma década, as revelações despertaram novas preocupações sobre a eficácia da colcha de retalhos europeia de regulamentação e aplicação da lei contra a lavagem de dinheiro. A Bloomberg Economics estima que cerca de US$ 1 trilhão saíram da Rússia nos últimos 25 anos. O Danske Bank admitiu em setembro que a maior parte dos US$ 230 bilhões movimentados em sua unidade estoniana provavelmente era de origem suspeita.

Cerca de 10 milhões de euros dos 35 milhões que estão sendo investigados na Espanha foram transferidos da unidade estoniana do Danske Bank para 65 beneficiários, principalmente indivíduos de origem russa e da ex-União Soviética, alegam os promotores, para então adquirir imóveis na Espanha. Outros 7,2 milhões de euros foram usados para comprar autopeças, equipamentos de construção, calçados e outros produtos, de acordo com o processo.