Empresas e empresário tentam provar inocências

Aeronave de R$ 2 milhões apreendida no Recife pertence à quadrilha de AL acusada de lavagem e sonegação fiscal


Um helicóptero de um integrante da organização criminosa presa na operação Abdalônimo, acusada de um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade documental, foi apreendido na tarde deste domingo (15), por volta das 14h, no Aeroporto Internacional dos Guararapes.

A aeronave, modelo Esquilo e avaliada em R$ 2 milhões, tinha um alerta de apreensão, de acordo com informações da Polícia Federal de Pernambuco. A apreensão ocorreu quando o piloto e proprietário da aeronave pararam para abastecimento no aeroporto do Recife. Eles vinham da Paraíba e tinham como destino final Alagoas.

O piloto foi impedido de retomar a viagem quando apresentou o plano de voo a operadores da Sala de Tráfego Aéreo da Infraero, que identificaram o alerta.

O dono do helicóptero assinou o documento da apreensão e foi liberado, já que não havia mandado de prisão expedido em seu nome. A aeronave deve ser transportada para Maceió no decorrer desta semana.

Relembre a operação

A Polícia Federal de Alagoas deflagrou, em agosto deste ano, com apoio da Receita Federal, a “Operação Abdalônimo”, que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade ideológica liderada pelo empresário Walmer Almeida, que se notabilizou pela sua incrível evolução patrimonial. Na época, foram cumpridos 4 mandados de prisão, 24 de busca e apreensão e 8 de condução coercitiva por 70 policiais federais e outros 25 servidores da Receita Federal.

A Receita Federal havia identificado que o empresário não declarou renda condizente com sua evolução patrimonial. Nas investigações, descobriu-se que o suspeito se utilizava de subterfúgios criminosos, tais como a falsificação de documentos, criação de empresas de fachada e a ocultação de bens, mediante a utilização de terceiras pessoas, ou “laranjas”.

A quadrilha também usava de ‘fraude de execução’, um artifício usado para não pagar credores. Na prática é uma espécie de decretação de falência. Depois de abrir a empresa, o empresário era excluído do quadro social para abertura de nova empresa e alegava que os bens da qual se afastou não eram mais seus.

As investigações descobriram sonegação de impostos em empresas de diversos ramos, como o de concessionárias de veículos e de vestuário. Mais de 20 empresas participavam do esquema que envolvia 'laranjas' e membros de uma mesma família. Eles tinham helicóptero, carros de luxo, avião e até fazendas adquiridas a partir desse enriquecimento ilícito.

A influência da riqueza do empresário acusado de participar do esquema que teria movimentado cerca de R$ 300 milhões era tão grande que chegava a emprestar seu helicóptero para políticos e desembargadores do estado. Nas últimas eleições, também apoiou a candidatura de alguns políticos em Anadia, município onde seus pais nasceram.