Empresário é preso no RS em operação contra crimes financeiros

De acordo com a PF, quadrilha teria movimentado cerca de R$ 2,3 bilhões. Doleiros lavavam dinheiro com imóveis e carros de luxo no Sul do país.


Um empresário foi preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (22) em Porto Alegre na operação Ex-Câmbio, que investiga uma quadrilha que praticava crimes financeiros. Foram cumpridos um mandado de busca e apreensão e um mandado de prisão na capital gaúcha, mas ação também foi deflagrada em cinco cidades de Santa Catarina e em outros dois municípios paranaenses.

De acordo com a polícia, quatro organizações criminosas faziam parte de um esquema que teria movimentado aproximadamente US$ 600 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) por meio de doleiros em Santa Catarina. Os investigados usavam correspondentes cambiais como fachada para a lavagem de dinheiro. Foram apreendidos US$ 350 mil e R$ 400 mil em espécie.

Em Porto Alegre, a polícia apreendeu R$ 11,5 mil, US$ 1,8 mil, um veículo Honda Fit, documentos e uma máquina de contar dinheiro. A Polícia Federal não divulgou o nome do empresário preso.

As investigações estão centralizadas na cidade catarinense de Itajaí. No entanto, mais de 280 agentes cumpriram 10 mandados de prisão preventiva, 17 de prisão temporária, 68 de busca e apreensão, além de 10 de condução coercitiva nas cidades catarinenses de Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Dionísio Cerqueira, Porto Belo e Joinville, e nos municípios de Barracão e Curitiba, ambos no Paraná. Foi determinado ainda o bloqueio de 30 veículos e 37 imóveis.

As investigações, segundo a polícia, também identificaram que a quadrilha falsificava a identidade de pessoas que compravam moeda estrangeira, conhecida como boletagem. A mesma coisa acontecia com o envio e recebimento de recursos no exterior para o pagamento de importações, o que seria uma fraude cambial de acordo com as investigações. O grupo teria cometido ainda crimes de evasão de divisas.

O dinheiro obtido por meio do esquema era lavado com a ajuda de laranjas, com a compra de imóveis, carros de luxo e movimentações bancárias, que teriam contado com a ajuda de dois gerentes de banco.

As investigações foram iniciadas em 2011 com a apreensão de mais de US$ 80 mil, que eram transportados de forma clandestina por integrantes da organização criminosa. Os envolvidos podem ser indiciados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, instituição financeira clandestina, fraude cambial, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa.