Em cinco anos, Lava Jato já denunciou mais de 400 pessoas no Paraná


Prestes a completar cinco anos de investigação, a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) já denunciou 426 pessoas. Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (7) pelo MPF, até agora foram apresentadas à Justiça 91 denúncias contra 426 pessoas na Lava Jato em Curitiba. As primeiras acusações ocorreram em abril de 2014 e, desde então, o tamanho da investigação aumentou consideravelmente. Ao todo, já foram proferidas 50 sentenças, gerando 242 condenações contra 155 pessoas. O total de penas chega a 2.242 anos e 5 dias de pena.

Entre os crimes pelos os denunciados tornaram-se réus, estão: lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, organização criminosa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, crime contra a ordem econômica, embaraço à investigação de organização criminosa, falsidade ideológica, etc.

A denúncia mais recente foi apresentada à 13ª Vara Federal de Curitiba na última sexta-feira cinco acusados de operar um esquema de pagamento de propina em troca de contratos com a Transpetro, subsidiária da Petrobras. A denúncia aponta que o ex-senador Sérgio Machado (MDB/CE), ex-presidente da Transpetro acertou com Wilson Quintella, então diretor-presidente do grupo Estre, o pagamento de propinas em percentual entre 3% a 4% do valor original dos contratos firmados com as empresas do grupo na área de serviços, e de 1% a 1,5% na parte de navios. Segundo o MPF, os pagamentos ocorreram entre 2008 e 2014, e totalizaram mais de R$ 21 milhões. Também foram denúnciados o ex-presidente do grupo Estre, Elio Cherubini Bergemann, o funcionário da empresa Antonio Kanji Hoshikawa, e o advogado Mauro de Morais pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Dinheiro vivo
Segundo o procurador Roberson Pozzobon, “um dos estratagemas de lavagem de dinheiro denunciado consistiu na realização, pelo advogado Mauro de Morais, de mais de 300 saques em espécie de valores na ordem de R$ 90 mil que, entre 2011 e 2012, totalizaram mais de R$ 16 milhões. Com os fracionamentos os acusados tentavam passar fora do alcance dos radares dos órgãos de controle, já que à época as instituições financeiras eram obrigadas a comunicar automaticamente ao COAF todos os saques em espécie iguais ou superiores a R$ 100 mil”.

O dinheiro em espécie gerado por Mauro de Morais era então repassado para Antônio Kanji Hoshikawa, funcionário da Estre de confiança de Wilson Quintella, encarregado por ele e por Elio Cherubini Bergemann, então presidente do Grupo, de realizar as operações de entrega de propinas afirma o MPF.

Pedágio

No Paraná, entre os atingidos por denúncias da Lava Jato estão o ex-governador Beto Richa (PSDB), seu irmão, o ex-secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, José Pepe Richa; a ex-primeira-dama e ex-secretária da Família, Fernanda Richa, entre outros integrantes do grupo político do tucano. Richa e o irmão são acusados de participar de um esquema de cobrança de propina de concessionárias do pedágio em troca do cancelamento de obras e aumento de tarifas. Segundo o MPF, o esquema teria recebido pelo menos R$ 35 milhões. Eles negam as acusações.

Em relação à esposa do ex-governador, ela foi denunciada por lavagem do dinheiro sob a alegação de uso de dinheiro de propina do esquema para a compra de imóveis através da empresa Ocaporã Administradora de Bens. As operações seriam realizadas por Dirceu Puppo, contador da família, preso na operação Integração e também denunciado na Lava Jato. Entre os fatos apontados estão o uso de dinheiro vivo para a compra de imóveis. Tanto Fernanda Richa quanto o contador negam participam em irregularidades.