Dos 11.171 prefeitos e vice-prefeitos eleitos em 2016, 1.833 estão envolvidos em atos ilícitos diversos


Ao analisar as práticas de crimes financeiros e de corrupção no Brasil, uma consultoria especializada em serviços de prevenção à lavagem de dinheiro, a AML Consulting, chegou a uma conclusão assustadora. Em um universo de 714 mil pessoas físicas e empresas associadas a atividades ilícitas vinculadas a crimes financeiros ou infrações penais que antecedem à lavagem de dinheiro, 281 mil tem alguma vinculação com a política.

Dos 11.171 prefeitos e vice-prefeitos eleitos em 2016, 1.833 estão envolvidos em crimes de diferentes naturezas, o que corresponde a 16,5%, sendo que 99 deles são casos de corrupção, ou seja, 5%. Dos 57.949 vereadores eleitos no mesmo ano, 2.110 também estão envolvidos em diferentes crimes, o que significa 3,6%. Desse total, pelo menos 163 estão envolvidos com os crimes de corrupção, o que corresponde a 7,7%.

Conforme a pesquisa, prefeitos, vereadores e deputados federais são os cargos mais vinculados a crimes de corrupção, de acordo com o estudo. “A análise de dados evidencia um ambiente hostil para empresas atuarem no Brasil”, conclui Alexandre Botelho, sócio-fundador da AML Consulting. “Trata-se de um ambiente pautado por interesses individuais, com decisores de leis e processos regulatórios trabalhando em causa própria e gerando um cenário de instabilidade jurídica e econômica de forte impacto no mercado”, avalia o executivo.