Doleiro diz que BC facilita irregularidades no mercado de câmbio


Lucas Pacce Jr., acusado de envolvimento no esquema de remessa ilegal de dinheiro para o exterior pela operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), admitiu em depoimento à CPI da Petrobras a existência de brechas legais que permitem evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de corretoras e bancos, à margem da fiscalização do Banco Central.

Pacce participava do esquema da doleira Nelma Kodama, que operava o envio de dinheiro para o exterior junto com o também doleiro Alberto Youssef. Ao responder pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), ele disse que o Banco Central facilitou as irregularidades ao permitir que as corretoras atuassem como bancos no mercado de câmbio.

“Na minha opinião existem brechas propositais”, disse. Ele deu como exemplo o fato de os doleiros abrirem empresas de fachada que serviam apenas para enviar dinheiro para o exterior, oficialmente para pagar importações fraudulentas.

“A empresa não faz remessa de carga e não faz frete. A empresa opera 300 mil dólares por dia e ninguém verifica. Nunca chega produto nenhum e ela não tem Radar. Sem Radar a empresa não poderia nem fazer operações legais de importação, e no entanto faz”, disse.

Radar é uma autorização que permite acesso ao Sistema Integrado de Comércio Exterior da Receita Federal (SISCOMEX), uma espécie de controle sobre pessoas físicas e jurídicas que atuam no comércio exterior.

Pacce disse que seria simples impedir essa operação. “Bastaria impedir a operação de importação de empresas sem Radar”, disse.