Dodge prorroga por mais um ano força-tarefa da Lava Jato em Curitiba

Prorrogação, a quinta desde 2014, ocorre em meio a vazamentos de mensagens que sugerem condutas irregulares de procuradores


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, prorrogou por mais um ano a atuação da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná.

A portaria que oficializa a medida será publicada nesta terça-feira (13) e, em seguida, terá de ser aprovada pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Esta será a quinta prorrogação da força-tarefa desde que foi criada, em 2014, e descobriu um esquema de corrupção e desvio de recursos com tentáculos em vários setores da administração pública. 

Havia especulações de que Dodge poderia encerrar as atividades do grupo, ante o vazamento de conversas que sugerem condutas irregulares e atuação política de procuradores.

Diálogos dos investigadores e do ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça, em aplicativos de mensagens vêm sendo publicados desde 9 de junho pelo site The Intercept Brasil e por outros veículos, entre eles a Folha.

Dodge está na reta final de seu mandato, que se encerra em setembro, e busca a recondução ao cargo por mais dois anos. A indicação para o posto cabe ao presidente Jair Bolsonaro. O escolhido tem de ser aprovado pelo Senado. 

A PGR (Procuradoria-Geral da República) informou em nota que desde 2014, além das renovações, houve “ampliação progressiva do quadro de pessoal”, incluindo procuradores e servidores. “Também foi crescente a destinação de recursos para diárias e passagens. Em 2019, por exemplo, já foram gastos R$ 808 mil com essa despesa.”

Inicialmente, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba tinha dez procuradores; hoje, são 15. 

Os procuradores na capital paranaense foram os responsáveis por denunciar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex de Guarujá (SP), pelo qual ele foi condenado e preso.

As investigações revelaram que os esquemas de corrupção inicialmente em apuração transcendiam a Petrobras e envolviam outras estatais e órgãos públicos. 

Outras forças-tarefas foram instaladas em estados como o Rio de Janeiro e São Paulo, e também na própria PGR, responsável pela investigação de autoridades com foro especial perante o Supremo Tribunal Federal.