Desvio de dinheiro em Cachoeira Dourada atingiu outros municípios e causou prejuízo de R$ 16 milhões, diz MP

Políticos e empresários foram presos no início da investigação. Segundo o órgão, empresas devolviam parte do valor pago a elas ao presidente da Câmara de Vereadores por meio de intermediário.


A Operação Quinta Geração, que apura desvio de verbas da Câmara de Vereadores de Cachoeira Dourada, no sul de Goiás, descobriu que as ações criminosas aconteciam em outras dez cidades e causou prejuízo de R$ 16 milhões, segundo o Ministério Público. Durante a ação, político e empresários foram presos.

De acordo com o órgão, o esquema começou a ser descoberto em Cachoeira Dourada e era composto por duas empresas que não tinham escritórios físicos, funcionários delas e políticos. Uma das companhias investigadas, contratada para prestar serviços administrativos à Câmara de Vereadores do município, não realizava o trabalho. Já a outra, responsável pela área contábil, tinha um contrato superfaturado.

“A Câmara contratava essa empresa e fazia os pagamentos. Em seguida, repassava parte do dinheiro a um intermediário, que durante um tempo foi um posto de combustível. Por fim, esse valor voltava para o presidente da Câmara”, disse a promotora Ana Paula Sousa Fernandes.

Foram presos o presidente da Câmara de Vereadores, Roberto Carlos de Castro, os vereadores Alex Sander Souza Alves e João Batista de Souza, o contador Gilberto Francisco e os empresários Iris Domingos da Costa e Gilberto de Almeida Leles. Além deles, outros dois ex-vereadores chegaram a ser presos, mas já foram soltos.

O G1 entrou em contato por telefone e pelo site da Câmara de Vereadores de Cachoeira Dourada às 15h30, mas não obteve resposta até a publicação dessa reportagem.

A reportagem tentou contato por telefone também às 15h30 com a advogada que representa Roberto Carlos de Castro, mas as ligações não foram atendidas. A reportagem não conseguiu localiza a defesa dos demais citados pelo Ministério Público.

Além disso, funcionários das empresas contratadas também integravam o quadro de servidores comissionados da Casa, mas não trabalhavam efetivamente no local. Segundo a promotora, cada um recebia cerca de R$ 3 mil, mas durante as investigações, relataram que nunca receberam os valores.

“O contrato das duas empresas somava R$ 21 mil, além do pagamento que seria para os servidores. Nas anotações que encontramos, eles se comprometiam a retornar R$ 9 mil para o atual presidente da Câmara, Roberto Carlos de Castro”, disse a promotora.

Durante a operação em Cachoeira Dourada, o Ministério Público encontrou documentos que indicam que as empresas que atuavam na Câmara de Vereadores também tinham acordo de prestação de serviço com outros dez municípios.

“O lucro dessas empresas é de R$ 16 milhões. Mas não há escritório físico, até 2016 uma delas não tinha nenhum funcionário registrado legalmente, elas só têm contratos com o poder público, então os indícios são que esse valor foi obtido por meio de desvio de verba e lavagem de dinheiro”, explicou a promotora.

O aumento no valor pago a uma das empresas também chamou a atenção do MP. No primeiro ano, era pago R$ 1,8 mil. No ano seguinte, o montante subiu para R$ 5 mil e, na sequência, para R$ 7 mil.

Agora, com a descoberta de que o esquema fraudulento pode ter atingido outros municípios, o Ministério Público vai abrir novas investigações para tentar apurar todos os possíveis desvios.

Os presos vão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitação.