Desarticulado esquema que desviava dinheiro de ações trabalhistas do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre

Polícia apreendeu hoje documentos, dinheiro e veículos no RS e no ES


A Delegacia Fazendária do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) investiga desvio de pelo menos R$ 3 milhões em ações coletivas trabalhistas do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. Pelo menos oito pessoas estão sendo investigadas e cerca de 50 bancários, alguns são até herdeiros dos mesmos, teriam sido prejudicados. Depois de 11 meses de investigação, foi realizada nesta manhã a Operação Ourives. Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Porto Alegre (4), Alegrete (5) e Linhares (2), no Espírito Santo. Uma pessoa foi presa na Capital por porte ilegal de arma. Participaram da ação 64 policiais.

Desvio de dinheiro

De acordo com os delegados Daniel Medelski e Joerberth Nunes, bancários ingressavam ao longo do tempo com ações coletivas sobre perda salarial, aumentos, entre outros. Depois esqueciam de acompanhar os resultados e muitos acabaram ganhando os benefícios na Justiça do Trabalho. No entanto, sem que os beneficiários soubessem, um ex-tesoureiro e um ex-conselheiro do Sindicato sacavam o dinheiro por meio de alvarás judiciais. Após isso, emitiam cheques e faziam transferências para conta de terceiros, "laranjas". Os dois tinham acesso aos pagamentos de dissídios coletivos e aos alvarás judiciais. Com o tempo, os suspeitos passaram a comprar residências, automóveis e fazendas, além de criação de cavalos.

Apreensões

Na manhã de hoje, foram apreendidos documentos, quatro carros, um revólver calibre 38, celulares, fotos, vídeos, agendas, cadernetas, computadores e dinheiro. A Polícia informa que os bens, como fazendas e casas, serão apreendidos. O objetivo também é ressarcir as vítimas e, além das apreensões, a Polícia está solicitando o bloqueio das contas bancárias.

Em Alegrete, por exemplo, a Polícia confirmou que havia cerca de R$ 500 mil na conta de uma professora do município. Ela é ex-companheira de um dos investigados.

Denúncia

A denúncia da fraude foi feita à Polícia pelo próprio Sindicato. Ao realizar uma auditoria e confirmar o desvio de dinheiro, os bancários procuraram o DEIC. Antes disso, os dois suspeitos foram desligados do Sindicato. A Polícia conseguiu confirmar que pelo menos R$ 3 milhões foram apropriados de forma indevida pelos fraudadores.

Crimes

Os crimes, neste caso, são de apropriação indébita, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Já o inquérito tem oito volumes, cerca de duas mil páginas.