Denúncias de corrupção e desvios de recursos públicos ameaçam candidatura de Alckmin


Denúncias de corrupção e esquemas de desvios de recursos públicos ameaçam a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência. A gestão do ex-governador de São Paulo é alvo de acusações em diferentes setores: transportes, infraestrutura e educação, por exemplo.

Entre as várias denúncias que pairam sobre o tucano, estão as fraudes no metrô, no Rodoanel e na compra de merenda escolar.

Além disso, há o inquérito em que Alckmin é investigado por recebimento de caixa dois.

Ex-executivos da Odebrecht acusam o tucano de receber pagamentos irregulares nas campanhas ao governo do Estado.

Em depoimento aos procuradores da Lava Jato, Arnaldo Cumplido, ex-dirigente da empresa, deu detalhes sobre os repasses.

De acordo com o inquérito aberto no Ministério Público de São Paulo, Alckmin teria recebido R$ 10 milhões da Odebrecht, via caixa dois.

Os valores teriam abastecido as campanhas tucanas ao governo de São Paulo, em 2010 e 2014, mas não aparecem na prestação de contas entregue à Justiça. Parte do dinheiro, ainda segundo os delatores da Odebrecht, teria sido entregue a Adhemar Ribeiro, cunhado de Alckmin.

O ex-executivo Benedicto Júnior, que também firmou acordo de colaboração, disse aos procuradores que Alckmin era uma pessoa próxima à empresa.

O nome de Alckmin aparece nas delações premiadas de, pelo menos, três ex-executivos da Odebrecht. O promotor Luiz Henrique Dal Poz, responsável pela investigação, explicou que estão sendo apurados os números apresentados na prestação de contas.

Segundo os delatores, o dinheiro da propina para campanhas de Alckmin veio de contratos de obras da Linha 6-Laranja do Metrô.

O ramal é fruto de uma parceria entre o governo de São Paulo e a iniciativa privada. A obra chegou a ser prometida pelo ex-governador para 2019, mas o prazo já foi esticado para 2021 e, mesmo assim, dificilmente, será cumprido.

Até agora, nenhuma estação foi entregue à população e as obras estão paradas há mais de dois anos.

No dia em que sair do papel, a linha Laranja será uma importante ligação da cidade, com quinze paradas e mais de quinze quilômetros de extensão. Vai ligar a Brasilândia, no extremo Norte da cidade, até a estação São Joaquim, na região central, beneficiando 600 mil pessoas diariamente. E a linha laranja não é a única do Metrô de São Paulo sob suspeita.

Na 5-Lilás, que chegou a ser prometida para 2012 e até hoje não foi concluída, o Ministério Público investiga um cartel formado por cinco empreiteiras. Fariam parte do esquema as maiores empresas do segmento no país: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão.

De acordo com delatores, ex-dirigentes do Metrô teriam fraudado a licitação em troca de propina.

Em valores atualizados, o rombo aos cofres públicos chega a 3 bilhões e meio de reais.

A mesma suspeita, de fraude na licitação, pesa sobre a Linha 4-Amarela, onde R$ 47 milhões teriam sido desviados.

O ramal foi anunciado por Alckmin para a Copa do Mundo de 2014, mas até hoje, dois mundiais se passaram e as obras ainda não terminaram.

O trecho ligaria a estação da Luz ao estádio do Morumbi, mas, por enquanto, chega apenas ao Butantã – ainda faltam ser entregues mais duas paradas.

A última estação da linha a abrir as portas, Oscar Freire, foi inaugurada em abril, com quatro anos de atraso.