Denúncia contra sindicato foi feita por vice-presidente do órgão; polícia apura lavagem de dinheiro

DIG cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas. Vice aponta falta de transparência


A denúncia contra o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas (SP), que ocasionou uma operação da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) nesta segunda-feira (21), foi feita pelo vice-presidente da entidade. De acordo com Izael Soares de Almeida, ele decidiu procurar a Polícia Civil por falta de transparência financeira no órgão, já que nunca teve acesso ao balancete da diretoria.

A investigação apura os crimes de furto qualificado, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Pelo menos nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da entidade, além da casa de dirigentes, escritórios de contabilidade e clubes ligados ao sindicato.

“Vários mecanismos eram utilizados. Possivelmente saques, transferências de valores em outras contas e até superfaturamento de compras efetuadas por esse sindicato”, falou o delegado José Carlos Fernandes. Durante a ação foram apreendidos documentos, notebooks, computadores, notas fiscais e recibos.

“Nós vamos analisar nessa documentação, vamos inclusive investigar ‘laranjas’, que são pessoas que receberam bens dos investigados a fim de ocultar esses patrimônio. São parentes, amigos e afins que receberam fazendas, veículos, apartamentos, casas”, falou o delegado Roney de Carvalho Barbosa Lima, sem mencionar detalhes.

De acordo com o vice-presidente do sindicato, o presidente e o tesoureiro da entidade eram os únicos responsáveis pelas finanças da instituição. “O sindicato nunca tem dinheiro e nunca abriu balancete para a diretoria, a gente nunca acompanhou. O presidente e o tesoureiro vivem uma vida de ostentação. A mulher do tesoureiro faz viagens caras, a gente percebia que não está normal a situação”, afirmou Izael Soares de Almeida.

Os documentos e objetos apreendidos foram levados para a sede da DIG e vão passar por perícia. O presidente do sindicato, Matusalém de Lima, não foi intimado pela polícia e o G1 não conseguiu contato com nenhum representante da entidade até a publicação.