Delegado é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro

Paulo Henrique Martins de Castro teria retardado as investigações contra os advogados autores de ações fraudulentas


A Corregedoria da Polícia Civil instaurou dois inquéritos para investigar o delegado Paulo Henrique Martins de Castro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As suspeitas contra o delegado foram levantadas durante a investigação da Operação Têmis, realizada pelo Ministério Público.

A informação sobre os inquéritos foi confirmada ao A Cidade pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Paulo Henrique não estaria dando andamento da forma correta aos inquéritos policiais gerados pelas ocorrências registradas no 4º Distrito Policial (DP) contra os denunciados na Operação Têmis.

Como o escritório de advocacia dos denunciados fica na região do 4º DP, pelo menos 20 inquéritos ficaram sob a responsabilidade de Paulo Henrique. No último dia 16 de março ele foi transferido para o 1º DP, já por conta da investigação da corregedoria.

Segredo de Justiça

Por meio de e-mail, a SSP-SP informou que os dois inquéritos se encontram em segredo de Justiça. “A Polícia Civil informa que foram instaurados dois inquéritos policiais para apurar os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, porém ambos se encontram em sigilo, não sendo, por esse motivo, possível divulgação do andamento”, informou.

“O delegado, conforme publicado no dia 16, no Diário Oficial, foi transferido 1º DP do município onde permanecerá até o fim das investigações”, concluiu a SSP-SP, via assessoria. (Com Rita Magalhães)

Como funcionava o esquema

 

Como funcionava o esquema (Arte / A Cidade)

 

Responsável pelo Caso Joaquim

Paulo Henrique Martins de Castro ganhou notoriedade em novembro de 2013, época em que estava na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e ficou encarregado pela apuração do sumiço e morte do menino Joaquim Pontes Marques.

O garoto, então com 3 anos, desapareceu da casa onde morava com a mãe, Natália Ponte, e o padrasto, Guilherme Longo. Cinco dias depois, o corpo de Joaquim foi encontrado no rio Pardo, na cidade de Barretos.

Ao longo das investigações, Paulo Henrique apontou que o culpado pelo crime seria apenas o padrasto, inocentando a mãe. O Ministério Público não aceitou a versão do delegado e pediu também o indiciamento da mãe e a Justiça acatou. Em fevereiro de 2014, Paulo Henrique foi transferido para o 4º DP, região nobre da cidade,

Atualmente, Guilherme Longo, que chegou a fugir para Espanha, está preso e Natália em liberdade. Ambos aguardam decisão para saber se vão para júri popular.

Delegado diz desconhecer investigações e nega acusações

Ontem, o A Cidade conversou com o delegado Paulo Henrique Martins de Castro por telefone. Ele disse que ainda não tinha conhecimento sobre as investigações da Corregedoria da Polícia Civil. “A transferência de DP ocorreu porque a Delegacia Seccional promoveu uma série de mudanças. Não sei qual o motivo”, disse Paulo Henrique.

O delegado ainda negou que não tenha dado andamento às investigações contra os advogados denunciados na Operação Têmis.

“Não existe essa situação de não dar andamento. Peguei os depoimentos e a apuração foi realizada da forma correta. Depois os inquéritos foram todos encaminhados à 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto”, garantiu o delegado.

Denunciados por cinco crimes

Pente-fino realizado pelo Ministério Público ao longo das investigações localizou 53.390 ações movidas pela organização criminosa no Fórum de Ribeirão Preto.

As dez pessoas denunciadas pela Operação Têmis são acusadas de organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual e violação do sigilo bancário. Em reportagens anteriores, todos os denunciados pela Operação Têmis negaram as acusações.