Delator cita repasses a ex-diretor da Dersa em esquema de lavagem que chega a cerca de R$ 370 milhões

Operação Saqueador foi deflagrada em junho de 2016 e investiga saída de dinheiro dos cofres públicos para a empresa Delta Construções.


O empresário Adir Assad afirmou, em delação premiada, que entregou dinheiro a Paulo Vieira de Souza, diretor da Dersa, empresa controlada pelo governo do Estado de São Paulo, durante o governo do José Serra (PSDB). Essas informações foram anexadas ao processo da Operação Saqueador, desdobramento da Lava Jato, que corre na Justiça Federal do Rio de Janeiro e apura um esquema de lavagem de dinheiro de quase R$ 400 milhões.

Na delação, o empresário afirmou que entregou dinheiro vivo a Paulo Vieira, conhecido como Paulo Preto. Ela era direitor da Dersa, empresa responsável por grandes obras viárias, como o Rodoanel.

A Saqueador foi deflagrada em junho de 2016 e investiga um esquema de lavagem de R$ 370 milhões, que saíram dos cofres públicos e foram pagos à empresa Delta Construções. Todas as testemunhas de acusação e defesa e os 23 réus já foram ouvidos.

Os principais réus da Operação Saqueador são os empresários Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e Adir Assad.

Também na delação, Assad disse que, em 2007, foi contratado pela Delta do Rio de Janeiro e só depois foi incorporado à Delta de São Paulo, já por influência de Paulo Preto.

Assad garantiu que nenhum dos contratos firmados pelas suas empresas com a Delta chegou a ser executado. Todos simulavam prestações de serviços, como treinamentos de marketing. Para fornecer notas frias à Delta, o empresário ganhava comissão de 10% a 12% dos valores dos contratos.

Adir Assad falou ainda que Paulo Preto solicitou sua ajuda para fazer entregas de dinheiro direretamente a Pedro Silva. Na época, Pedro Silva era funcionário da Dersa.

Assad afirmou que movimentou cerca de R$ 300 milhões para a Delta. E a maioria deste dinheiro, cerca de 80, foi entregue pelo próprio Adir Assad a Paulo Preto.

Sérgio Cabral também é citado na delação. Assad diz que conheceu Fernando Cavendish em 2010 e que ele teria lhe pedido para não atrasar a entrega dos valores, pois o dinheiro iria para o então governador do Rio de Janeiro.

Nesta época, ainda segundo Assad, Cabral era chamado por Cavendish pelo apelido de ”pau mandado”, por causa da influência da esposa do ex-governador, Adriana Ancelmo, sobre ele.

Depois de 2010, Cavendish e Assad só voltaram a se encontrar na cadeia, em 2016, quando foram presos na Operação Saqueador.

O Senador José Serra não quis comentar. A Delta não vai comentar o assunto. A defesa de Paulo Vieira de Souza disse que ele jamais pediu, solicitou, exigiu qualquer valor para quem que seja. A Dersa disse que a empresa e o governo de São Paulo são os grande interessados em que as investigações tenham andamento e eventuais danos sejam apurados e, se for o caso, ressarcidos.

O engenheiro Pedro da Silva refutou a alusão ao seu nome e esclareceu que jamais teve qualquer encontro com o referido delator, tampouco o conhece pessoalmente.