Delação da Odebrecht: Milton Monti é suspeito de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro

Deputado do PR-SP é citado em dois inquéritos, um deles junto de Costa Neto por recebimento de propina da Odebrecht.


Deputado federal Milton Monti (PR-SP) é suspeito de corrupção passiva, ativa e de lavagem de dinheiro, tendo recebido propina da Odebrecht na execução da Ferrovia Norte-Sul, em 2008 e 2009, segundo inquérito autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por meio de nota, o parlamentar, que é citado em dois inquéritos (4.456 e 4.443), informa que sempre agiu de acordo com a lei e que todas as doações das campanhas eleitorais foram feitas legalmente: “É bom que se apure porque assim a inocência dele será comprovada”.

Fachin autorizou as investigações a partir do pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A PGR fez o pedido com base nas delações dos ex-executivos da Odebrecht.

O inquérito 4.456 investiga Milton Monti e o ex-parlamentar Valdemar da Costa Neto. De acordo com os delatores Pedro Augusto Carneiro Leão Neto e João Antôno Pacífico Ferreira, Monti e Costa Neto atuaram para garantir ao Grupo Odebrecht participação na construção na Ferrovia Norte-Sul, em Goiás. As obras foram conduzidas pela empresa pública Valec, que foi a responsável licitações.

Os colabores relataram que, em 2008 e em 2009, ocorreu pagamento de propina a agentes públicos, citando que o valor foi de 4% do contrato. Desse total, 3% teriam sido repassados ao grupo político de Costa Neto (na ocasião representado pelo então presidente da Valec, José Francisco das Neves).

“Nesse contexto do grupo capitaneado por Valdemar da Costa Neto, o Deputado Federal Milton Donti teria atuado na cobrança de vantagem indevida, sendo a propina paga por meio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht”, diz o texto do inquérito.

Já no inquérito 4.443, Marcelo Monti é citado junto do também seputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM). De acordo com o delator José de Carvalho Filho, ele participou de uma reunião com Nascimento na época em que este era ministro dos Transportes para “tratar de temas ligados aos interesses da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias”, diz o inquérito. O encontro teria acontecido a pedido de Monti.

O texto continua: “Nessa ocasião, teria sido solicitada ‘ajuda financeira’ para a campanha eleitoral de Alfredo Nascimento, no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) por cada empresa que lá se fazia presente”. O delator João Antônio Pacífico Ferreira afirmou que o encontro aconteceu em 2006 e que o repasse ocorreu “por meio de recursos não contabilizados”.

Por fim, o inquérito relata que ter havido um “acordo entre as empresas que teria resultado em benefício espúrio a diversos agentes públicos do DNIT e no pagamento de vantagem indevida ao [ex] Deputado Federal Inocêncio Oliveira, supostamente beneficiado com o repasse de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), por meio do Setor de Operações Estruturadas”.