Dados bancários roubados valem até R$ 1.500 na web


Não é a toa que os criminosos virtuais se dedicam à criação de vírus cada vez mais numerosos e sofisticados para conseguir roubar dados pessoais de usuários da internet.

Hoje, ao vender informações bancárias de um único internauta no mercado, eles conseguem embolsar até US$ 850 (veja ao lado). É o que revela relatório divulgado pela fabricante de antivírus Symantec.

Por serem as informações mais valiosas nesse comércio ilegal, os dados bancários são também os mais roubados, ao lado de informações de cartões de crédito. Juntas, elas respondem por quase 40% dos dados pessoais furtados na internet.

A lógica usada para definir o preço da informação é simples. “Quanto mais amplo e mais rentável for o uso que os criminosos podem fazer da informação, mais ela valerá no mercado”, afirma André Carraretto, diretor de engenharia de sistema da Symantec. “No caso do cartão de crédito, o preço dessa informação no mercado tende a variar de acordo com o limite que o cartão tiver.” Mas isso não significa que os usuários de menor renda não sejam visados pelos ladrões. “O criminoso faz uma análise de custo e benefício de sua ação.

Se o dado for menos valioso, porém mais fácil de roubar e oferecer menos risco de o criminoso ser pego, a informação pode até pode custar menos no mercado ilegal, mas também despertará o interesse do bandido”, diz Alberto Araújo Lopes, professor da disciplina de Segurança de Sistemas da Faap. “É como na vida real: o ladrão só rouba o carro que está com vidro fechado se ele não tiver encontrado antes nenhum que esteja com o vidro aberto”, compara o professor.

E nem sempre os bandidos estão atrás do dinheiro do internauta. Muitas vezes, o que lhes interessa é roubar a identidade do usuário para praticar outros crimes. Aí o critério de renda não entra. Além do perfil do usuário, outra coisa que colabora para torná-lo mais ou menos atrativo para os criminosos é o tipo de programa que ele utiliza.

De acordo com o levantamento, o navegador Mozilla Firefox é o mais vulnerável de todos. A Symantec registrou 169 novas vulnerabilidades neste tipo de browser em 2009, ante 94 no Apple Safari, 45 no Microsoft Internet Explorer, 41 no Google Chrome e 25 no Opera. “Mas seja qual for o programa, o usuário deve sempre se preocupar em baixar as atualizações ”, reforça Lopes. “Elas são a proteção que a empresa entrega aos usuários para bloquear o acesso dos bandidos a brechas que eles descobrem nos softwares.”

Além de relativamente mais fáceis de serem realizados e, em alguns casos, mais rentáveis também, os crimes virtuais atraem a atenção dos bandidos pelo baixo grau de exposição a que estão sujeitos. “As chances de pegar o ladrão que atua na internet são menores”, afirma a advogada Patrícia Peck Pinheiro, especializada em crimes digitais. “Conta muito a agilidade do usuário em registrar o boletim de ocorrência e da Polícia em conseguir seguir o rastro do bandido antes que ele suma na web.”

Para se proteger contra esses crimes, o usuário deve tomar consciência de que, ao usar o computador, ele participa de um ambiente público, ainda que esteja sozinho no sofá de casa. “É como se estivesse na rua. Não dá para andar distraído, usando joias ou falando no celular. Pode não acontecer nada, mas sempre terá alguém pronto para se aproveitar desses descuidos”, diz Patrícia.

Tome cuidado

Tenha consciência de que a internet é um ambiente público, onde você está exposto a vários ataques, assim como se estivesse andando na rua. Atualize sempre os programas de sua máquina – em especial, o antivírus – para corrigir as falhas já detectadas nos softwares. Não abra e-mails nem clique em links desconhecidos, mesmo se a notícia for de seu interesse. Faça compras online apenas em sites conhecidos e que possuam o cadeado de segurança.