Criminosos usam adolescentes para lavar dinheiro na Inglaterra

Organizações pedem que escolas incluam no currículo aulas para denunciar a fraude


Criminosos estão explorando adolescentes para lavar dinheiro na Inglaterra.

E o esquema é muito simples.

Segundo várias reportagens recentes publicadas na mídia britânica, alguns grupos organizados abordam estudantes entre 13 e 17 anos e oferecem dinheiro vivo para usar suas contas bancárias.

Os adolescentes são procurados em clubes esportivos, nas portas das escolas e, claro, através das redes sociais.

Quem faz o contato são outros jovens ligados a grupos criminosos e, em muitos casos, conhecidos das vítimas.

Como costumam ter pouco dinheiro nas contas e as usam apenas para pagar pequenas despesas como lanches na escola e transporte público, muitos estudantes acabam concordando com a proposta de dinheiro fácil.

Os criminosos, então, usam vários esquemas de fraude para depositar o dinheiro sujo nas contas dos adolescentes.

Eles concordam em sacar ou transferir o valor depositado, recebendo presentes ou dinheiro vivo em troca.

O serviço de prevenção de fraudes bancárias do país identificou quase 10 mil casos de lavagem de dinheiro feito dessa forma e utilizando contas bancárias de menores de idade apenas em 2018.

Mas as autoridades reconhecem que o total de contas utilizadas deve ser muito maior.

As movimentações individuais são relativamente baixas, para não despertar suspeitas. E as contas são utilizadas pelos criminosos por pouco tempo.

Em alguns casos, estudantes que se recusam a colaborar no meio do caminho acabam sendo ameaçados.

Centenas de escolas enviaram correspondência aos pais, explicando o golpe e alertando para medidas de prevenção.

A melhor, como sempre, é conversar diretamente com os filhos e explicar a enganação –inclusive mostrando as consequências do crime.

A legislação britânica para esse tipo de lavagem de dinheiro prevê penas de prisão de até 14 anos.

Mesmo que escapem da cadeia, muitos dos adolescentes perdem o direito de ter contas bancárias por pelo menos seis anos.

Algumas organizações para a prevenção de problemas financeiros estão pedindo que o currículo das escolas públicas inclua aulas mostrando como as fraudes funcionam.

O governo deveria adotar tal medida sem pestanejar. Afinal, a educação é sempre o melhor remédio.