Corrupção já roubou R$ 120 bi

Levantamento mostra que, em 34 anos, Brasil teve 31 grandes casos de desvio de dinheiro público


O esquema investigado pela operação Lava Jato envolvendo a Petrobras, com pagamentos de propinas a políticos em troca de negócios com a estatal, já ocupa o segundo lugar no ranking de escândalos de corrupção no país desde a década de 1980 se levado em conta o tamanho do rombo aos cofres públicos.

Segundo levantamento do instituto Avante Brasil, os desvios apurados pela Lava Jato já somam R$ 10 bilhões. No primeiro lugar do ranking está o caso Banestado, descoberto em 2003. O escândalo envolveu a remessa a paraísos fiscais – por meio de contas abertas ilegalmente no banco – de dinheiro de corrupção, sonegação fiscal e tráfico de drogas. As operações movimentaram, em valores atuais, mais de R$ 60 bilhões irregularmente.

O mensalão do PT – considerado o maior caso de corrupção da história recente do país pela complexidade e quantidade de autoridades condenadas – aparece em 18º lugar, tendo movimentado R$ 275 milhões em propinas e lavagem de dinheiro.

Ao todo, o instituto Avante Brasil elencou 31 grandes casos de corrupção nos últimos 34 anos, que resultaram no desvio de R$ 120,8 bilhões dos cofres públicos, em valores corrigidos.

O diretor-presidente do Instituto Avante Brasil, Luiz Flávio Gomes, destaca que, “nitidamente, o número de investigações de casos de corrupção no Brasil aumentou na última década”. O instituto é o responsável pelo levantamento dos maiores escândalos de corrupção no país. Os dados foram divulgados nesta quinta.

“A Polícia Federal ficou muito mais forte a partir do governo Lula, em 2003. São, em média, 200 investigações por ano”, diz Gomes, doutor em direito penal pela Universidade Complutense de Madri e Mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP).

Ele avalia, ainda, como positivo o uso de delação premiada, que possibilita a recuperação de recursos públicos desviados, e considera que só aumentar a pena para o crime de corrupção – proposta defendida pela presidente Dilma Rousseff – não surte efeito.

“Transformar corrupção em crime hediondo é perfumaria. A expectativa futura está diretamente ligada ao nível de eficácia do controle. Quanto mais controle, aí sim, há mais preocupação por parte dos políticos. É preciso incrementar os órgãos públicos de controle”, defendeu o especialista, sugerindo a criação de um fundo com recursos recuperados da corrupção para investir em novas investigações.

Instituto

O Avante Brasil (Instituto da Prevenção do Crime e da Violência) é uma entidade sem fins lucrativos criada para “popularizar informações e pesquisas sobre temas de interesse público”.