Cooperativa de transporte em Suzano servia de fachada para facção criminosa, diz MP

Esquema que envolvia organização e facção criminosa que age dentro e fora dos presídios era explorar o tráfico de drogas, segundo MP. Gaeco cumpriu sete mandados de prisão nesta sexta-feira (2) e um dos alvos foi vereador da cidade.


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público informou nesta sexta-feira (2) que, após um ano de investigações, constatou que a cooperativa de transporte complementar de Suzano, a Cooper-Suzan, é utilizada como fachada para a exploração do tráfico de drogas na cidade.

De acordo com o Ministério Público, o esquema envolve a cooperativa e uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios e contava com o apoio de políticos. Sete pessoas ligadas à cooperativa foram presas nesta sexta, incluindo o vereador José Carlos de Souza Nascimento (PTB), de Suzano.

O advogado do vereador e de outros três presos informou que entrará com pedido de habeas corpus. O G1 tenta localizar os advogados dos demais dos presos.

Além dos mandados de prisão temporária foram cumpridos, 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Criminal de Suzano. Uma mulher foi conduzida para prestar depoimento por ter envolvimento com um dos presos.

O esquema

Segundo o promotor do Gaeco, Frederico Vieira Silvério da Silva, o vereador tinha participação ativa no esquema. “Ele tinha conhecimento do grupo que estava instalado ali e auxiliava os interesses desse grupo”, disse.

Para o Gaeco, já está comprovado de que a facção criminosa usada a sede da Coopersuzan. “Eram realizadas reuniões do grupo no local. Se combinavam mediante aplicativos, para se encontrar no local e discutir os interesses da facção criminosa na sede da cooperativa”.

Até o diretor da cooperativa está entre os presos. Segundo os promotores, além de ser sede de reuniões, a Coopersuzan também era usada pela facção criminosa para lavagem de dinheiro. “Era instrumento para lavagem. E os membros do grupo também se utilizavam de outros meios para a lavagem. Registravam bens no nome de terceiros, veículos, casas. Esse tipo de procedimento para o branqueamento do capital angariado de forma ilícita”. E concluí: “Especialmente essa questão do dinheiro vivo, é uma atividade típica de atuação criminosa, de atividade ilícita. Foram ventilados nomes de outros políticos na investigação, mas nada de concreto e contundente contra esses políticos foi ainda descoberto e apurado. Mas as investigações continuam e se a gente conseguir levantar outros elementos, possivelmente teremos outras fases dessa operação.”

Com eles foram apreendidas uma pistola que havia sido furtada da casa de um policial militar, cocaína e embalagem para os entorpecentes. Também foram apreendidos R$ 12 mil e US$ 1.370.

Batizada de “Cooperativa”, esta é a quarta operação deflagrada pelo Gaeco em 2018. O trabalho contou com a atuação de seis promotores de Justiça, dois agentes e aproximadamente 60 policiais militares. Os presos foram encaminhados para o Ministério Público, em Mogi das Cruzes, para prestar depoimento.

Segundo a promotoria, foram presos nesta sexta-feira:

– José Carlos de Souza Nascimento (“Zé Perueiro”);

– Daniel Rodrigues de Oliveira (“Gordão”, “Fiat”, “Chefe”);

– Darcio Candido da Silva (“Tota”);

– Marcio Zeca da Silva (“Gordo”);

– Pedro Zeca da Silva;

– Jefferson Veríssimo da Silva (“Arrepiado”, “Ripe”);

– Cleiton Virgílio da Silva.

Por telefone, o advogado Dario Reisinger informou que representa o vereador, além dos presos Daniel Oliveira, Jefferson da Silva e Cleiton da Silva. Sobre o vereador, ele disse que está iniciando a defesa e pedido de habeas corpus que será protocolado em 2ª Instância.

Segundo ele, o vereador preso tem problema no coração e a defesa se preocupa com isso. Também reforçou que o parlamentar “não tem ligação com nenhum tipo de crime e que vai trabalhar para restaurar a liberdade dele, para que ele responda o processo em liberdade”. Ainda segundo o advogado a prisão foi injusta e sem fundamento.

Com relação ao Daniel, Jefferson e Cleiton, o advogado disse que “as provas são frageis e não há o que justifique as prisões”. O pedido de habeas corpus deles também será protocolado em 2ª instância.

A Câmara informou que aguarda uma nota do advogado do vereador e que a operação não tem relação com o Legislativo.

Em nota, a Prefeitura de Suzano informou que “o transporte complementar de Suzano (vans) é um serviço prestado por permissionários (pessoas físicas). São 147 permissionários no total, que participam do sistema complementar ao sistema regular de transporte público (ônibus). Estes permissionários se uniram em forma de cooperativa, mas esta entidade não presta serviço ao poder público. O transporte complementar é prestado apenas por pessoas físicas – os permissionários”.

Ainda segundo a nota, “a municipalidade comunica que ainda não recebeu nenhuma notificação sobre a operação e que vai aguardar as informações oficiais do Gaeco para tomar as providências cabíveis. Independentemente do possível envolvimento da entidade, é preciso apurar se algum permissionário está envolvido.”