Contador de maior milícia do Rio, responsável pelas taxas das vans, é preso em Santa Cruz

Segundo investigação, cada linha de van precisava pagar cerca de R$3800 por semana para o grupo; o total da arrecadação poderia chegar a R$300 mil


A polícia prendeu, nesta sexta, um contador do principal grupo miliciano da Zona Oeste do Rio. Acusado de organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo, Michael Emerson Andrade de Souza, conhecido como Sassá, foi detido em sua casa, em Santa Cruz. Ele era responsável pela cobrança das taxas das linhas de vans em Campo Grande, e Santa Cruz, cujos valores poderiam chegar, segundo a investigação do Departamento de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), a até R$300 mil por semana.

A milícia é comandada por Wellington da Silva Braga, vulgo Ecko, atualmente foragido. No ano passado, a polícia chegou a realizar uma operação para desmantelar o grupo, e prendeu 149 pessoas num sítio em Santa Cruz, mas Ecko conseguiu escapar. Além do inquérito por organização criminosa, que levou à prisão desta sexta, Sassá, considerado pela polícia como “elemento importante na milícia” é alvo de outros inquéritos policiais, como pro crime de lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, as linhas de vans de Campo Grande, Santa Cruz e pequenos bairros adjacentes precisam pagar uma taxa de cerca de R$3.800 por semana para a milícia. Cada linha é composta, em média, por seis ou sete vans normalmente. Sassá era justamente a pessoa responsável por realizar essas cobranças e posterior contabilidade. 

Na sua detenção, numa casa em Santa Cruz, foram encontrados alguns materiais de contabilidade, como cadernos e anotações, mas, segundo a polícia, isso não representa a totalidade do seu trabalho. Por isso, ainda não é possível afirmar o total da movimentação financeira do grupo. Mas, estima-se que o valor chegue, somente com as taxas de vans, a até R$300 mil por semana. Na casa também foi encontrado um Toyota Corolla e uma arma de fogo. Ele não resistiu à prisão.

Apesar de procurado pela justiça, Sassá costumava ostentar joias e acessórios de luxo em suas redes sociais. Outro hábito era postar fotos em mansões. Segundo essas investigações, esses bens seriam incompatíveis com sua capacidade financeira, evidência que reforça o inquérito de lavagem de dinheiro.

— Ele não tinha o perfil de guerra, mas era tão danoso quanto, porque extorquia os trabalhadores ali da região — afirmou um dos investigadores.